
charge de André Gonçalves
Pode ser que eu seja muito ranzinza, mas fiquei indignada com a escolha do Brasil para sediar a copa de 2014. Primeiro, aquela pataquada da comitiva: de Paulo Coelho a uma "ruma" de governadores (será que não tinham nada mais importante a fazer do que engrossar uma comitiva para farrear na Europa?);
Depois o patético discurso de Paulo Coelho (até hoje eu não acredito que seja o mesmo "Dom Paulete" tão carinhosamente chamado por Raul) comparando o futebol com o ato sexual, para concluir que o primeiro rende mais prazer, se é que eu entendi direito. Minha santa mãe de misericórdia! Será que metáforas futebolísticas são o nosso melhor destino?
Mas vamos ao ponto: todo mundo viu o que se gastou com o PAN (quatro vezes o orçamento inicial previsto). Nenhuma matemática do mundo pode justificar um desatino desses. Todo mundo sabe que se gasta numa pequena reforma doméstica 1,5 ou até 2 vezes mais do que foi previsto, mas mais do que isso, alguém está levando vantagem. Ou somos todos idiotas. Aí se argumenta que os gastos com o PAN são benefícios que ficarão para a cidade, como o uso dos estádios para maior democratização dos usuários. Gostaria de saber se isso está acontecendo no Rio. E, parece castigo, esse vexame do deslizamento do túnel. Do jeito que a coisa aconteceu, todo mundo se eximindo de suas responsabilidades, poderia ter acontecido durante o PAN que ninguém tinha antevisto isso, com medidas preventivas de contenção da encosta. Elementar, mas tudo aqui é assim, quando acontece o absolutamente previsível diante do desmando, todo mundo tira o seu da reta. E fica por isso mesmo. Impunidade, seu nome é Brasil! zil! zil! zil!
E vamos comemorar, porque a copa de 2014 é nossa! "Seus problemas acabaram!" como costuma brincar a turma do Casseta. Nada mais nos importa, nada nos atinge, vamos sediar a copa!
Deveríamos ficar atentos com o orçamento que vai nos custar mais essa "brasileirada" e que reais benefícios isso vai nos trazer.
Até agora (tá bom, também foi hoje o resultado, pode ser que esteja errada, tomara!) não ouvi uma única voz refletir sobre o tema, só festa. Como sempre.