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domingo, 10 de fevereiro de 2008

Elegia




Ateneu que me desculpe, mas a minha festa foi melhor. Com certeza ele não contava com a existência de uma pequena fogueira para acalentar a alma, agora atrelada às rochas da minha libertação. Além de uma linda mesa de frutas...
Como me desejou meu amigo Fred Dantas, "saúde, sossego e liberdade". Pra que mais nada?
Obrigada aos 28 amigos que se despencaram de suas casas, cheios de cinzas, para abrilhantar a minha fogueira. Aos que não puderam comparecer, a minha saudade. Nunca estão todos, como diz Caetano em "Uns".

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Dia de festa


Há uma festa por aqui, apesar da quarta-feira de cinzas.
Para Bandeira, restou uma cinza fria, uma pouca cinza fria.
Para mim, há uma pequena fogueira incandescendo a minha alma, que insiste em viver abraçada à solidão dos séculos.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Outros poemas/Ateneu, X 462 C.

Agora o chão da casa está limpo, as mãos de todos
e as taças; um cinge as cabeças com guirlanda de flores,
outro oferece odorante mirra numa salva;
plena de alegria, ergue-se uma cratera,
à mão está outro vinho, que promete jamais falar,
vinho doce, nas jarras cheirando a flor;
pelo meio perpassa sagrado aroma de incenso,
fresca é a água, agradável e pura;
ao lado estão pães tostados e suntuosa mesa
carregada de queijo e espesso mel;
no centro está um altar todo recoberto de flores,
canto e graça envolvem a casa.
É preciso que alegres os homens primeiro cantem os deuses
com mitos piedosos e palavras puras.
Depois de verter libações e pedir forças para realizar
o que é justo - isto é que vem em primeiro lugar -
não é excesso beber quanto te permita chegar
à casa sem guia, se não fores muito idoso.
É de louvar-se o homem que, bebendo, revela atos nobres
como a memória que tem e o desejo de virtude,
sem nada falar de titãs, nem de gigantes,
nem de centauros, ficções criadas pelos antigos,
ou de lutas civis violentas, nas quais não há nada de útil.
Ter sempre veneração pelos deuses, isto é bom.