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sexta-feira, 21 de maio de 2010

derradeiro pouso





Gran finale
Avise aos amigos
que preparo o último verso
A vida
Dura menos que um poema
E no alvorecer mais próximo
saio de cena.
Damário Dacruz


Que lamentável!!! A seu respeito posso afirmar que correu TODOS os riscos. Riscos da palavra. Grande beijo saudoso, c.

Pousando

Gran finale
Avise aos amigos
que preparo o último verso
A vida
Dura menos que um poema
E no alvorecer mais próximo
saio de cena.


Último poema do pequeno/grande homem Damário Dacruz (assim mesmo, brincando de juntar letras como ele adorava). Foi-se hoje, sexta-feira, 21 de maio, perdeu a guerra para um câncer.

sábado, 10 de abril de 2010

Chorar é preciso

Do insuperável Drops da Fal: "Eu choro, sabe, eu choro porque a dor não me deixa respirar e mesmo assim eu respiro fundo e solto o ar em oito tempos, como nos exercícios da aula de canto, enquanto bato claras em neve e meço a quantidade de leite para o suflê, enquanto ralo o queijo ou penduro a roupa no varal, enquanto misturo as tintas, enquanto lavo os pincéis. Choro porque sou impotente, porque tudo posso. Eu choro quase sempre, quase o tempo todo, porque o humano que há em mim se atira do parapeito e não há volta. Mas eu volto, todas as vezes. Todos os dias".

Viver dói mesmo, Fal, todo dia.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Luto e cantigas




Ainda muito perturbada pela morte de Rufo, visitei hoje o www.expoart.com para ver se tinha alguma notinha. Comuniquei-lhes do falecimento e como Rufo era um constante colaborador achei que merecia algo. A gente sempre acha que nossos mortos merecem algo, mas quem tá aí pra isso? Volte de um enterro e tenha a nítida sensação que a vida não tá nem aí... segue seu rumo.
Mas, para minha surpresa, publicaram a nota que enviei e um texto que já publiquei aqui no blog "Descansa em paz, meu capitão", como um dolorido tributo.

Agora é oficial: as Cantigas de Infância, projeto selecionado pelo Edital de Música de 2008 da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, têm até 15 de maio para estarem disponíveis para download. Novela comprida mas que parece que tá chegando ao fim. Aqui, uma provinha do que vem por aí (18 cantigas).
Não acertei linkar o mp3. Amanhã alguém me socorre.
janones.mp3

terça-feira, 13 de outubro de 2009

O mundo sem ingresia

Não sei pra vocês, mas pra mim, o mundo não tem a menor graça sem Ingresia. Tou falando do blog de "Seu Françuel", que enchia de alegria a vida da nossa nem sempre criativa blogosfera.
Franciel era uma honrosa exceção: com um estilo absolutamente particular, tinha sua própria linguagem, cheia de maneirismos, sempre com um humor cáustico delicioso.
Como consolo, ele manda lermos seus arquivos, que ficarão disponíveis.
Eu diria: magro consolo.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Tom Zé/Amado Michael

Negro da luz que desbota branco
Tanto talento tormento tanto
Tanta afronta de pouca monta.

Eia! virtudes em farta ceia
Todo encanto que pode o canto
Toda fiança que adoça a dança.

Que deus nos furta vida tão curta?
Mundo lamenta: ele mal cinquenta!
A ninguém ilude essa bruxa rude.
Paroxismo desse Narciso
Que achou desgosto no próprio rosto
E apedrejou-se com faca e foice.

Avança a rua (uma dor que dança)
E em seus telhados mandibulados
Requebra os hinos do dançarino.
Niños, rapazes, se sentem azes
Herdeiros todos e seus parceiros
Revelam parque, porto e favela.

II

Da Grécia três te trouxeram Graças
Arcas repletas de belas artes
Arcas que deram ciúme às Parcas.

Que luz trarias tu, mitologia,
Para um tal desatino de destino
Que o espandongado toma por fado?

Porque o povo grego disse que
Se a hybris o herói consigo quis,
Se condiz ao lado dela ser feliz
Ele mesmo será pão e maldição
Enquanto gera para os olhos de Megera.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

São João sem saudosismo



Nada me tira mais do sério do que a turma de "no meu tempo..." Primeiro porque, a exemplo de Paulinho da Viola, "meu tempo é agora".
Dito isso, vamos ao São João. Perdi a conta do número de lamentos que ouço cada vez que vem esta festa. Pelamordedeus! A fila anda, os costumes felizmente mudam, e não seria o São João que iria ficar pra trás.
Portanto, vamos pra diante, tratando de nos acostumarmos com o forró que não é só pé de serra agora, é eletrônico, universitário e o que mais inventarem.
O meu foi em Miguel Calmon, terra de uma amiga, com direito a Dominguinhos, Adelmário Coelho e Magnifícos.
A festa lotou a cidade, já que Jacobina, cidade vizinha, não comemora e veio gente de Piritiba, terra de nosso querido Wilson Aragão, quem lembra? Plantei um sítio no sertão de Piritiba...
É isso! Como diz meu querido Millôr, "tragam a saudade pro dia-a-dia pra ela não virar melancolia".

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Que noite absurdamente calma, Waldick!



Não foi surpresa, porque já era anunciado há muito tempo, mas é sempre um susto saber
do anúncio da morte de alguém. Principalmente alguém mítico como Waldick, personagem da nossa infância, o conterrâneo que "deu certo" contra todas as possibilidades. Desgraçadamente falei dele há pouco tempo no blog, para comentar sobre o péssimo filme que Patrícia Pillar fez em sua homenagem. Waldick merecia mais, muito mais que isso. Que descanse em paz, ele que soube sorver a vida com tanta sofreguidão. Nossas saudades...

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Eduardo Santos, meu herói!




O judoca Eduardo Santos é eliminado por suíço na busca por uma medalha de bronze e emociona o país com um pedido de desculpa aos pais por não ter conseguido a dita medalha.
Eu tinha jurado não comentar nada sobre essas Olimpíadas, principalmente porque acho um desrespeito a maioria dos atletas não serem patrocinados e prestigiados pelo estado brasileiro e na época das competições serem apresentados como representantes do "Brasil"! essa abstrata e efêmera categoria.
Pois bem, não ia comentar até ver Eduardo Santos aos prantos, pedindo desculpas aos seus pais e se julgando incompetente. Que nada, Eduardo! Você é o legítimo herói, pq lutou sem patrocínio nenhum (levou 10 anos para mudar de faixa, de marrom para preta, pq não tinha dinheiro para fazer a prova). Vcs não acham que seria uma obrigação do Estado Brasileiro patrocinar TODOS os seus atletas olímpicos? Por que umas categorias são superprivilegiadas enquanto outras são absolutamente esquecidas?
Não me conformo e passo ao largo dessa presepada olímpica, a não ser, claro, quando um caso como esse de Eduardo me comove.
Felizmente, sua recepção na chegada ao Rio foi animadíssima, muito calorosa do aeroporto até seu bairro. Virou herói! Parabéns, Eduardo!

sábado, 16 de agosto de 2008

Obra-prima/Caymmi


(Obrigada ao Blag pela linda foto!)
Milagre

Maurino Dadá e Zé Caô
Embarcaram de manhã
Era quarta feira santa dia de pescar e de pescador
Se sabe que muda o tempo
Se sabe que o tempo vira
Ai o tempo virou
Maurino que é de guenta guento
Dada que é de labutar labutou
Zeca esse nem falou
Era só jogar a rêde e puxar
Era só jogar a rêde e puxar

Se Caymmi tivesse feito só essa música, teria justificado a sua existência. Coisa de gênio!

sábado, 12 de abril de 2008

Jean Mitchel pede socorro e não é ouvido.


"Em todo lugar, urubu é preto, já dizia meu avô materno Galdino Borges de Aguiar.
Thiago Fernandes | Divulgação
Jean Mitchel tem hepatite alcoólica, além de erisipela e problemas circulatórios
Áudio
Ouvir "Unchain My Heart", com Jean Mitchel Blues Band é fundamental para quem nãop conhece sua obra,

Zezão Castro, do A Tarde
>> Músico francês precisa de ajuda

A situação do cantor de blues francês Jean Mitchel, 59 anos, internado nas Obras Assistenciais Irmã Dulce (Osid) há 21 dias inspira cuidados. De acordo com informações do departamento médico, ele apresenta quadro de hepatite alcoólica, além de erisipela e problemas circulatórios. Está sem forças para andar.

“O paciente encontra-se bastante debilitado, sofrendo um desgaste pelo estilo de vida em que vivia, apresentando um quadro respiratório comprometido, sistema imunológico debilitado e letargia (vagareza) ao se comunicar decorrente do alcoolismo”, pontuou o fisioterapeuta Cléber Santos, que o examinou nesta sexta.

Não houve condições de diálogo com ele. Com muita dificuldade uma enfermeira conseguiu levantá-lo da cadeira para o leito de número 28 da enfermaria São Camilo. Chegou ali em uma ambulância do Samu, que o recolheu desmaiado nas ruas do Pelourinho.

A vida do cantor é recheada de tragédias. Há cerca de 5 anos, sua filha, uma adolescente que se tornou prostituta morreu afogada na volta de um programa feito com marinheiros no Porto de Salvador. Sem parentes no Brasil e sem saber o paradeiro dos que deixou em Paris, na França, Jean Mitchel batizado Jean Eugène Mouchère encontrou consolo no alcoolismo. E o que mais pintasse na esbórnia do Centro Histórico.

Escreveu ainda um livro chamado “Anjos Negros” e inspirou outro de “ficção”, segundo relatou, escrito por um inglês sobre um cantor de blues francês no Pelô.

Descansa em paz, Jean Mitchel, pois nós, todos os seus amigos, fomos incapazes de prestar-lhe a mais barata das atenções: a solidariedade humana. Certamente estará mais descansado sob a lousa fria de um cemitério em Salvador, a cujo enterro só compareceram 3 pessoas, segundo o vespertino da Tancredo Neves. Cada povo tem o arrependimento que merece!

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Mataram Negão!

O posto Shell de Amaralina e seus assíduos frequentadores, entre os quais me incluo, estão de luto.
Negão, o ex-rasta e segurança do posto foi executado ontem, com um tiro no ouvido, no Vale das Pedrinhas. Causa mortis? "Rexa antiga" me responderam uns três. Desconhecia essa palavra, talvez seja mesmo necessário um nelogismo, quando a linguagem não mais dá conta do trágico. Então, senhores linguistas de plantão, a palavra agora é "rexa" e não "rixa" como vocês aprenderam em tempos de criança.
Já contrataram um substituto, afinal a vida continua, enquanto Negão era enterrado às 3 da tarde deste domingo.
"Ah que tempo mais vagabundo este que escolheram pra gente viver!".

sábado, 13 de outubro de 2007

Autran, bem mais que Resíduo

um premonitório aviso do que fica: resíduos.



No caso de Autran, ficam bem mais do que resíduos. Autran era daqueles caras que mereciam ser imortais. Sensível, brilhante na sua longa carreira de ator de teatro e algumas novelas, mas principalmente um grande ser humano, tolerante, bem humorado, lúcido ao extremo, realmente, não era pra ele ir agora. A quem devo encaminhar reclamação por tão grave erro de cronograma? Fica aqui a nossa mais profunda saudade.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

O mundo fica mais triste sem Marcel Marceau!




Lamento informar, senhores, mas perdemos o grande mímico francês Marcel Marceau, domingo, dia 23, aos 84 anos. Participante da resistência francesa, Marcel ficou mesmo conhecido como um original mímico, que conseguia se comunicar com todo o planeta através da sua elegante arte. Segundo um obituário, "O homem preso pelo silêncio. O mais eloqüente de todos os discursos". Saudades...