sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Montevidéu, um lugar de paradoxos




Montevidéu foi uma estranha surpresa. Foi a minha primeira vez, estranhamentos são naturais, porque narciso acha feio o que não é espelho, como já dizia Caetano a respeito da sua primeira impressão sobre São Paulo. Ficamos no Centro, próximos à Cidade Velha, muitos monumentos com cavalos, são fixados em militares sobre cavalos, cada praça tem um. Por falar em cavalos, ouvimos durante toda a noite trotes de cavalos pelo asfalto, achei q estava sonhando, eram os catadores de lixo que usam carroças puxadas a cavalo. Ecologicamente corretíssimo, ja que não polui e ao mesmo tempo recolhe o lixo reciclável, bem mais seguro do que aqueles imensos carros de mão de Salvador, mas estranho, muito estranho. Tem carroças de todo tipo, cavalos enfeitados, uma loucura. A chegada foi pela rodoviária, já que viemos de Buenos Aires para Colonia, de Buquebus, como chamam a empresa q faz a conexão barco x ônibus.
A Avenida 18 de Julho, onde estávamos hospedados, é imensa e corta um importante trecho da cidade, ligando o Centro ao lado mais moderno, aí sim, tem-se a impressão q se está numa capital.
A orla do rio da Prata é de dar inveja aos baianos, já que João Henrique conseguiu estragar o que a natureza fez com capricho em Salvador. Um calçadão enorme, que chamam de Ramblas, onde se passeia de bicicleta, se faz cooper, mas o rio mesmo, coitados, uma areia na maior parte escura e a água barrenta.
Por falta de informação saímos no dia em que iria começar o maior carnaval do mundo, dia 24 à noite, viajamos 24 à tarde, mas com passagens já acertadas nem nos atrevemos a mexer. O carnaval começa em janeiro e vai ate março, com arquibancadas nas ruas como pequenos camarotes para um grupo de 6 a 8 pessoas. Viajamos hoje, 24 para São Paulo e já caímos na esbórnia paulista, ficando até 5 da manhã na farra. Amanhã, quer dizer, hoje beeeem mais tarde, pretendemos ir à Pinacoteca para uma exposição de Tarsila, às 11 tem o coquetel de abertura, mas é realmente impossível acordarmos nesse horário. Veremos o q será possível fazer nessa paulicéia desvairada.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Atualizando...

Por incrível q pareça, Buenos Aires foi o lugar em q tive mais dificuldade de internet. Nao q faltassem locutorios por toda a parte, mas pq no hotel nao tinha serviço e eu já estava acostumada a postar antes de dormir contando as novidades do dia. Resultado: qdo resolvi fazer isso no último dia, ir a um serviço de internet, estavam sem conexao.
É a terceira vez q vou a "Mi Buenos Aires querido" como diz o velho tango. O velho e bom hotel Novel, na avenida de Mayo, nos aguardava com vaga, sem reserva. Logo depois lotou, foi uma sorte ter conseguido. Passeios a San Telmo, a Florida, ao Delta do Paraná pelo Tren de la Costa, e até uma ida ao teatro Astral, onde estavam encenando Cabaré, muito bom.
No domingo pegamos um barco para Montevideu, com conexao de onibus em Colonia. Aqui tambem escurece muito tarde, o q atrapalha a percepçao do tempo. Até chegar ao hotel (conseguido no escuro, na rodoviaria) já era noite, apesar de ainda claro. Ontem nao fizemos nada, além de sair para comer algo e dar uma volta na Praça Fanini q fica aqui perto, no centro novo (pq tem o centro velho). Hoje vamos "ramblar" na orla, passeando na ciclovia de bicicleta. Hasta la vista!

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Vamos a la playa!

Hoje foi o dia da indefectível visita às praias do Pacífico: Viña del Mar e Valparaíso. Nada muito diferente de quando estive aqui, em 2000, mas é sempre um prazer visitar este "puerto loco" a "este disparate" de ciudad, como diz Neruda, acrescentando que "si caminamos todas sus escaleras, habremos dado la vuelta al mundo" referindo-se a Valparaíso, onde tinha uma casa, além das outras duas, em Santiago e Isla Negra. Na de Santiago, podemos testemunhar a amizade do poeta com Jorge Amado e Vinícius, com fotos no Mercado Modelo e troca de amabilidades entre eles.
Temos muitas fotos, mas nao estou conseguindo postar daqui, farei isso com mais calma do meu lap top q eu conheço melhor.
E a visita a Santiago continua amanha, nosso último dia aqui, qdo pretendemos ir ao Mercado Central comer lagosta, que araruta também tem seu dia de mingau!

domingo, 13 de janeiro de 2008

Cultura e arte fazem a festa em Santiago

Está acontecendo aqui o "Santiago a mil", um festival internacional de teatro, com peças por todos os lados, em praças e locais fechados. Sem contar as inúmeras salas de teatro que vemos em muitos lugares, além dos teatrinhos de rua, tudo muito profissional, com muita tecnologia, projeçoes, fantastico! Depois (esses do teatro de rua) saem com o chapeuzinho pedindo contribuiçoes ao publico e sobrevivem assim. É de dar inveja!

Notícias da viagem

Cheguei hoje a Santiago, depois de quatro dias no deserto. San Pedro de Atacama é um lugar mágico, surpreendente. Acho que todo mundo já disse isso, mas nao posso evitar o lugar comum. Mais noticias da viagem, em breve, de preferência com imagens, que ainda nao consegui postar.
O primeiro choque foi com o câmbio. Imaginem que com um real pode-se comprar 256 pesos chilenos. Isso enloquece qualquer um: um café expresso custa 800 pesos, e um nescafé descarado custa 300 pesos. E diz o jornal tradicional daqui, El Mercurio, que o peso chileno foi a moeda que mais se valorizou frente ao dólar. Eles devem estar certos, mas nao é essa a impressao que fica.
Santiago respira cultura. Asistimos hoje, meio sem querer, uma estonteante apresentaçao teatral na Praça do Palácio de la Moneda, de triste memória para os chilenos. Clara alusao à invasão do Palácio, representada por estruturas metalicas imitando as portas do palacio, em chamas. O grupo convidado era da Polônia e a peça se chamava "A Arca". Isso fazia parte, viemos a saber depois, do "Santiago a Mil", onde pode-se assistir, durante todo o mês de janeiro, a Mil (isso mesmo, mil!) espetáculos de teatro, dança, música, cinema, palestras, museus, enfim, mil eventos culturais.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Direto do deserto de Atacama!

Estou em uma lan house do meio do deserto de Atacama - Chile. Definitivamente, nao se fazem mais desertos como antigamente. Imaginem, uma lan house no meio do deserto? Entrarei nos proximos dias com imagens, se tudo correr bem com a maquina digital.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

E la nave va!



Lá vamos nós para 2008, catando os caquinhos do que foi esse ano que passou, balanços das nossas vidas, planos para o novo ano que chega... Final de ano é sempre essa hora de repensarmos o rumo das nossas barcas, mudança de rotas, desvios, atalhos, sempre a ilusão da possibilidade de um recomeço, como se nossas vidas estivessem atreladas a calendários vãos. Apesar de boa parte da humanidade não considerar essa data o fim de um ano, para nós é sempre uma hora de acerto de contas. Então vamos nessa! Sem retrospectivas, por favor, que disso se encarregam os medíocres meios de comunicação. O "cacos" compartilha com seus amigos fé no futuro. Coisa difícil, quando lembramos que teremos pela frente um cansativo ano eleitoral, com as ridículas disputas de podres poderes. Quase impossível ficar imune a isso, por mais que se tente. Ainda assim, fé no futuro que virá, que já vem vindo, como "anuncia" Alceu Valença:

Na bruma leve das paixões
Que vem de dentro
Tu vens chegando
Pra brincar no meu quintal
No teu cavalo
Peito nu, cabelo ao vento
E o sol quarando
Nossas roupas no varal...
Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais
Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais...
A voz do anjo
Sussurrou no meu ouvido
Eu não duvido
Já escuto os teus sinais
Que tu virias
Numa manhã de domingo
Eu te anuncio
Nos sinos das catedrais...
Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais
Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais...


E um pouco de Drummond, que ninguém é de ferro:


Receita de ano novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido)para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?)
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar que por decreto de esperança a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.

Um grande 2008 a todos! Façamos por merecê-lo.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Festival Internacional de Palhaços

Não poderia deixar de registrar aqui o Encontro Internacional de Palhaços "Anjos do Picadeiro", grande evento que este ano escolheu Salvador como sede.
Mais detalhes, fotos e comentários no http://picadeiroquente.blogspot.com/
Bom divertimento a todos os que não puderam comparecer. Foi uma grande jornada, com direito a 12 horas ininterruptas de apresentações. Muito bom!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007


Fui à premiação do Festival de 5 minutos, versão 2007, produzido pela DIMAS. O resultado, sempre questionado por alguns, teve menções honrosas e prêmios que variaram entre 3 e 10 mil reais. Graninha boa para quem normalmente rala muito para produzir alguma coisa de qualidade nesse país de tão pouco incentivo à cultura. Destaque para "Foram todos pra lua", "Veras", "Meninos", "Passo" (brilhante animação), "Pega, Mata e Come", de Carlos Pronzato, fazendo a devida justiça sobre o verdadeiro autor de Carcará, imortalizado na insuperável interpretação de Betânia. É senso comum atribuir-se a João do Vale a autoria, mas esse filme esclarece qualquer mal-entendido: o verdadeiro autor de "Carcará" é José Cândido da Silva, nascido em Puxinanã, povoado de Santana de Ipanema, nas Alagoas, mas criado em Aracaju, onde viu nascer seus filhos, e onde voltou a viver, depois de aposentado e de consagrar-se, no Rio de Janeiro, como autor de diversos sucessos musicais, alguns dos quais em parceria com o maranhense João do Vale, o que não foi o caso de "Carcará": José Cândido é o único autor de um clássico dos anos de chumbo, interpretado por Nara Leão e por Maria Betânia no espetáculo Opinião, um dos mais assistidos e aplaudidos da década de 1960, e que revelou a própria Betânia, o compositor Zé Keti e outros valores da MPB.
Pois bem, Pronzato, um cineasta argentino radicado na Bahia, foi quem, em 5 minutos, acabou de vez com esse equívoco assumido por muita gente que se diz entendida de MPB. Abocanhou um justíssimo terceiro lugar e o prêmio de 6 mil reais. Parabéns, Pronzato, o júri fez justiça, o que não podemos dizer do primeiro lugar, "Carro de boi", um documentário pouco criativo e que levou 10 mil reais. Mas festival é assim mesmo, subjetividade de jurado é igual a cabeça de juiz e de eleitor. Ninguém sabe o que virá.
O troféu, criado pelo artista plástico Peter Gutman, era uma alusão a um fêmur humano, referência ao homem de Neanderthal e a "2001: uma odisséia no espaço".

Parabéns aos ganhadores e a todos os 285 participantes de todo o Brasil.

Oscar para sempre Niemeyer


Parabéns, grande mestre do sublime e do espanto! 100 anos de puro encantamento!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

O dia em que o Brasil foi invadido

Rir sempre é o melhor remédio

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Carandiru, Pará e Fonte Nova


implosão do Carandiru
Agora é moda: se algo muito escabroso acontece em um determinado lugar, a exemplo da chacina do Carandiru, da prisão de uma menor com homens na cela ou do desabamento de uma arquibancada na Fonte Nova, não pensem duas vezes senhores: implosão já! Essa é a lógica perversa que aqui já está virando rotina.
Todo mundo sabe das precaríssimas condições dos presídios brasileiros, com presos amontoados como bichos, com três ou quatro vezes o número humanamente planejado. Pois então, depois daquele escândalo do Carandiru (alguém ainda se lembra?) qual a solução encontrada pelas autoridades? Implodir o prédio, como se as paredes, a construção em si fosse responsável pelo desmantelo. Ou seja, agrava-se o problema de falta de cela para presidiários, descartando uma prisão de grande porte, para aliviar a consciência (ou enganar os trouxas, o que é a mesma coisa) de quem deveria estar ali administrando bem.
No Pará, a mesma coisa agora: um "débil mental" (foi como o delegado, já afastado, chamou a menina) prende uma menor com vários homens. Foi violentada, agredida, até que um ex-detento, que esteve com ela na cela, saiu e conseguiu a sua certidão de nascimento, provando que tinha apenas 15 anos. Solução? Implodir a delegacia!
O caso da Fonte Nova não escapa da lógica do "vamos implodir", como se isso deletasse a responsabilidade dos que autorizaram um jogo decisivo, estádio lotado, sem condições de uso. Essa possibilidade da implosão como mais barata que uma restauração já estava anunciada mesmo antes da tragédia. Gostaria de ver algum parecer técnico sobre isso. Imaginem: implosão, escombros, retirada de entulho (pensem que quantidade assombrosa de entulho), construção de um novo estádio... Tudo isso de olho numa remota possibilidade de a Bahia sediar algum joguinho secundário da Copa do Mundo. Será que não se tem tecnologia hoje para uma restauração segura e mais barata? Ou é melhor entrar na onda nacional mesmo e implodir para ajudar a passar uma borracha no mal feito?
A propósito, ler o Licuri "Borrachoterapia". Ingresia e Galinho também estão dando um tratamento muito sério ao tema.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Ressaca da tragédia anunciada


Foto agência Estado

"Enfim quem paga o pesar
do tempo que se gastou
das vidas que se custou
e das que podem custar?"

Infelizmente, aqui, ninguém paga essa conta. E mesmo que pagassem, isso não traria de volta as vítimas dessa tragédia mais que anunciada. Visitando hoje vários blogs, todos são unânimes num ponto: a irresponsabilidade do Estado em permitir um jogo decisivo num estádio condenado há um ano! Não dá pra alisar: o que ocorreu ontem na Fonte Nova foi o assassinato de sete pessoas (ainda poderia ser muito mais se o pênalti não fosse desperdiçado). Visitem o Licuri, Ingresia, Blog do Galinho, blog do Kfouri e vocês verão o sentimento geral de indignação e tristeza que tomou conta da Bahia. Solidariedade irrestrita às famílias das vítimas! Responsabilização penal aos culpados! (se vivêssemos em outro mundo).

Museu du Ritmo e a tragédia da Fonte Nova


Fui ao show de Carlinhos Brown nesse domingo, primeiro para ver aquele ambiente funcionando, já q só o tinha visitado vazio. O espaço é fantástico, inovador, com um palco no meio da "pista", o que permite às pessoas verem o show de qualquer posição. Muita criativadade na decoração do palco, arrasou com um convidado angolado "Dog" que veio ensinar os baianos a dançar o cuduro. Muito bom! Em parelelo, a galeria apresenta uma exposição de artistas plásticos baianos, digna de ser vista com calma, fica até dezembro.
Junto à festiva noite, tomei conhecimento da tragédia da Fonte Nova. Sete mortos até agora! Muitos feridos! Segundo o Sindicato da Arquitetura e da Engenharia - Sinaenco, o estado de abandono da Fonte Nova é dramático. Lamentável, como sempre aqui ninguém cuida de manutenção, espera morrer gente para acordar para o problema. Segundo um encontro de Arquitetos e Construtores, o Enaeco, que ocorrerá em 30 de novembro,"o evento insere-se no conceito adotado pelo setor de arquitetura e engenharia consultiva de que é necessário pensar antes para fazer melhor, ou seja, planejar com antecedência para evitar problemas, como os que infelizmente vimos acontecer nas obras para a realização dos Jogos Pan-Americanos, em julho, no Rio de Janeiro”, explica José Roberto Bernasconi, presidente do Sinaenco, sobre as obras para 2014.
A Fonte Nova foi alvo ainda de uma ação civil pública ajuízada no ano passado pela promotora Joseane Suzart no Ministério Público Estadual, que pedia a interdição do estádio, e de um relatório do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia que apontava a praça esportiva como a pior do Brasil.
Aguardemos! O "cacos" não vai descansar enquanto não desistirem dessa insanidade de demolir a Fonte Nova, para implantarem algum projeto faraônico com o único intuito de sediar alguns jogos da Copa. Temos muitas outras prioridades, nosso Estado é pobre, índices de IDH entre os mais baixos do país e não podemos nos dedicar a uma sandice dessas.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Fernando Pessoa/Maria Bethânia - Ultimatum


Ando um pouco abatida desde que postei aqui sobre a Copa do Mundo no Brasil, antevendo o escândalo em termos de gastos descontrolados, porta aberta para as velhas fralcatruas de sempre e me deu um desânimo... Um amigo lusitano contou-me que Portugal sediou a Copa Europa em 2004 e até hoje os estádios estão lá, totalmente ociosos. Pois essa poesia de Fernando Pessoa, com o heterônimo de Álvaro de Campos, 1917, tragicamente atual e lindamente recitada por Betânia deu-me um certo ânimo, ainda que puramente simbólico, e, como ele, eu também dou o meu "ultimatum". Ainda que simbolicamente, é para isso que serve a arte, afinal.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

A copa de 2014


charge de André Gonçalves

Pode ser que eu seja muito ranzinza, mas fiquei indignada com a escolha do Brasil para sediar a copa de 2014. Primeiro, aquela pataquada da comitiva: de Paulo Coelho a uma "ruma" de governadores (será que não tinham nada mais importante a fazer do que engrossar uma comitiva para farrear na Europa?);
Depois o patético discurso de Paulo Coelho (até hoje eu não acredito que seja o mesmo "Dom Paulete" tão carinhosamente chamado por Raul) comparando o futebol com o ato sexual, para concluir que o primeiro rende mais prazer, se é que eu entendi direito. Minha santa mãe de misericórdia! Será que metáforas futebolísticas são o nosso melhor destino?
Mas vamos ao ponto: todo mundo viu o que se gastou com o PAN (quatro vezes o orçamento inicial previsto). Nenhuma matemática do mundo pode justificar um desatino desses. Todo mundo sabe que se gasta numa pequena reforma doméstica 1,5 ou até 2 vezes mais do que foi previsto, mas mais do que isso, alguém está levando vantagem. Ou somos todos idiotas. Aí se argumenta que os gastos com o PAN são benefícios que ficarão para a cidade, como o uso dos estádios para maior democratização dos usuários. Gostaria de saber se isso está acontecendo no Rio. E, parece castigo, esse vexame do deslizamento do túnel. Do jeito que a coisa aconteceu, todo mundo se eximindo de suas responsabilidades, poderia ter acontecido durante o PAN que ninguém tinha antevisto isso, com medidas preventivas de contenção da encosta. Elementar, mas tudo aqui é assim, quando acontece o absolutamente previsível diante do desmando, todo mundo tira o seu da reta. E fica por isso mesmo. Impunidade, seu nome é Brasil! zil! zil! zil!
E vamos comemorar, porque a copa de 2014 é nossa! "Seus problemas acabaram!" como costuma brincar a turma do Casseta. Nada mais nos importa, nada nos atinge, vamos sediar a copa!
Deveríamos ficar atentos com o orçamento que vai nos custar mais essa "brasileirada" e que reais benefícios isso vai nos trazer.
Até agora (tá bom, também foi hoje o resultado, pode ser que esteja errada, tomara!) não ouvi uma única voz refletir sobre o tema, só festa. Como sempre.

Nietzsche, sempre um alento!



Acima de nós uma estrela brilha perto da outra,
Em torno de nós ruge a eternidade. (do poema Colombo - Nietzsche)

"Suas idéias mostram que ela se aventurou até os confins extremos do que se pode pensar, no domínio moral como no intelectual, enfim: um gênio, tanto pelo espírito quanto pela alma" (Peter Gast, sobre Lou Salomé)

Para Nietzsche, Gast era um novo Mozart, cheio de beleza, calor, serenidade, plenitude, abundância de invenção. Agora ele não queria mais ouvir outra coisa e o wagnerismo lhe parecia pobre, artificial e cabotino.

Outrora eu tomei você por uma visão e uma aparição do ideal sobre a terra. Note: tenho uma vista muito ruim. (Nietzsche, sobre Lou)

Despudorada, infiel, traindo qualquer um com quem quer que surgisse à sua frente, ela é incapaz de delicadeza de coração, violenta, incerta, sem coragem, grosseira nas questões de honra. (Nietzsche, sobre Lou)

"Não fui eu quem criou o mundo, nem Lou. Se eu tivesse criado Lou, lhe teria dado certamente uma saúde melhor, mas sobretudo coisas mais importantes que a saúde e também talvez um pouco de amor por mim (embora isso não seja a coisa mais importante). (Nietzsche, numa carta que supostamente mandaria a Lou)

Egoísmo sagrado que paralisa a boa vontade - egoísmo de gato que não pode mais amar, essa vitalidade para nada, são o que me é mais odioso no homem

"Um homem meio louco, torturado por enxaquecas e que uma longa solidão desregulou" (o que Nietzsche achava que os amigos pensavam dele).

É muito mais difícil perdoar os amigos do que os inimigos.

Falar de heroísmo é falar de sacrifício e de dever, e precisamente de um dever de cada dia, de cada hora, é pois, falar de muito mais: a alma inteira deve estar ocupada por um único objeto, em comparação com o qual a vida e a felicidade são indiferentes.

Era a ocasião de provar a si mesmo que todos os acontecimentos são úteis, todos os dias santos e todos os homens divinos. (N. em carta a Overbeck, no Natal, rompido com a mãe)

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Porque hoje é lua cheia




A lua cheia derrama todo o seu encanto no mar de Amaralina e (mistério!) continua cheia...

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

A loucura da arte de Peter Greenaway



Com a trilogia "As valises de Tulse Luper", Greenaway alcança o limite do improvável, do absurdo, do genial. A partir da vida de Luper, um eterno prisioneiro, conta-nos toda a história do século XX. Luper não se sentia estranho sendo prisioneiro, afinal, dizia ele, quem não é? Todos somos prisioneiros de alguma coisa, alguma pessoa, algum ideal. Ninguém é livre, esse é o pressuposto de Luper, um arquivista, arqueólogo e interessado em ciências naturais, que tem sua vida dissecada a partir de 92 valises. Do país de Gales para o deserto de Utah, EUA, para a Antuérpia, Bélgica, para a França, lá vai Luper, de prisão em prisão, de fronteira em fronteira, de idioma em idioma, vivendo tudo o que a vida tem para ser vivida. Esse trailler é uma pequena amostra do fantástico trabalho de direção de Greenaway. Vamos torcer para que chegue logo em DVD ou no circuito alternativo, já que a exibição na Walter da Silveira ficou prejudicada sem o último filme por motivos técnicos.

No http://adrulez.blogspot.com/ esse comentário atualíssimo, da recente presença de Greenaway no Brasil:

"Em São Paulo, onde esteve para o lançamento do Festival Internacional de Arte Eletrônica, o diretor brindou o público com cenas fortíssimas e reflexões inteligentes a céu aberto. E provou que existem muitas formas de se contar uma história sem precisar recorrer à cronologia, ao linear, e o mais impressionante: às palavras."

Segundo o cineasta, que já foi pintor: "O cinema como meio de comunicação de idéias está morto. A produção contemporânea é entediante. Em 10 minutos de filme já se sabe o que vai acontecer, como vai acontecer e de que forma vai terminar. A psiquê humana precisa de novidades. O cinema precisa desesperadamente ser reinventado, assim como qualquer mídia tem que se reinventar (...) Esses 112 anos foram apenas o prólogo do cinema."
Peter Greenaway
Mais detalhes no site http://petergreenaway.co.uk/tulse.htm
É filme para se ter em casa, e ver, e ver de novo, e ver sempre.

sábado, 13 de outubro de 2007

Autran, bem mais que Resíduo

um premonitório aviso do que fica: resíduos.



No caso de Autran, ficam bem mais do que resíduos. Autran era daqueles caras que mereciam ser imortais. Sensível, brilhante na sua longa carreira de ator de teatro e algumas novelas, mas principalmente um grande ser humano, tolerante, bem humorado, lúcido ao extremo, realmente, não era pra ele ir agora. A quem devo encaminhar reclamação por tão grave erro de cronograma? Fica aqui a nossa mais profunda saudade.

domingo, 7 de outubro de 2007

Millôr, eterno Millôr!

"Representação é o alucinógino da organização social chamada democracia. Temos 479 representantes de nossas necessidades e ambições sociais - 479 deputados! Uma sociedade precisa de tantos? Por que não diminuir para 10? Ou melhor, nenhum?"

Nova edição da "Bíblia do Caos" já à venda. Corram! É um presente infalível para todas as ocasiões. E faz pensar, antes de qualquer coisa, além de rir, que é sempre o melhor remédio!

Outros poemas/Henrique Wagner

De portas abertas

As funerárias pequenas e grandes,
de portas sempre abertas
mesmo se as ruas estão fechadas,
ou se um velho passeia de mãos dadas
com sua neta,
ou um casal de senhores namora cedo
quando a manhã principia,
ou quando um cachorro passa com pressa
antes que se termine a via,
ou quando os pais levam seus filhos cedinho
para a escolinha ou o parquinho,
ou quando o sol começa a aguar
o sorvete da menina com um vestido azul,
ou quando a surpresa nos incomoda
ao nos depararmos com essas antigas lojas eternas,
a vender uma velha forma de se esconder a vida.

(Poema publicado no livro "As horas do mundo", edição esgotada). Publiquei Henrique Wagner inspirada no surpreendente poema de nilson pedro, do blag, que trata do mesmo tema, do inevitável tema, vida/morte, nilsonpedro.wordpress.com Visitem!

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

De Londres, fotos exclusivas de manifestação em solidariedade ao povo de Mianmar!








Recebi esse email com quatro fotos exclusivas de uma manifestação, em Londres, em solidariedade ao povo de Mianmar. Era para escolher uma, não resisti, as fotos enviadas pela jornalista Hilda Fausto, em viagem a Londres, são todas absolutamente necessárias. Os brutamontes de Mianmar não vão achá-la mais em Londres, já escapuliu pra Madri.

Vejam o email:

Aí estão as fotos... com vê, não estão lá essa coca-cola...
queria ter feito uma foto segurando a bandeira da birmania, mas não foi possível... de qualquer forma. fiquei emocionada qdo me deparei com a manifestação, que não sabia que tava rolando... isso aconteceu no domingo pela manhã, dia 30 de setembro (acho que uma ação que ocorreu em várias partes do mundo), na Trafalgar Square, palco da grandes manifestações políticas da Inglaterra e também onde está instalada a National Gallery, uma das mais importantes da cidade.
Bjs.
Hildinha


Isso é que eu chamo de "auxílio luxuoso", como diz Luiz Melodia: "E o auxílio luxuoso de um pandeiro, até sonhar de madrugada, uma moça sem mancada, uma mulher não deve vacilar". A propósito, a prêmio Nobel da paz de Mianmar, Aung San Suu Kyi, é uma mulher que não vacila: o marido e os filhos foram exilados para Londres, onde o marido depois morreu, e ela preferiu ficar em seu país, em solidariedade aos presos políticos. Nem ao enterro do marido pôde ir. Está em prisão domiciliar há 10 anos.

Liberdade ao povo de Mianmar!!! Isso já está passando de todos os limites aceitáveis!!!

O enviado da ONU para Mianmar é o brasileiro Paulo César Pinheiro, para sorte da imagem pública da anta Celso Amorim, mas duvido que ele tenha mexido uma palha para isso, foi uma decisão da ONU mesmo. Amorim, como já comentei aqui, se recusou a assinar sanções contra os militares de Mianmar, como fizeram vários países, dizendo que isso era intromissão em política interna de outro país, que o que ele poderia fazer era "reforçar a democracia". Como assim, cara pálida?

Para apoio aos manifestantes de Mianmar e impedir a repressão violenta aos monges e à população, assine já!

Vá ao link:

http://www.avaaz.org e assine o manifesto, preenchendo nome, email e país de origem.
Em poucos dias a petição ganhou o apoio de 638.352 pessoas de todo o mundo, até a hora que votei.

Queremos chegar a 1 milhão de assinaturas, ajude-nos a divulgar a campanha.

http://www.avaaz.org

domingo, 30 de setembro de 2007

Santiago. Uma pausa para a delicadeza.


Não podia ter feito uma escolha melhor para encerrar o meu cansativo domingo. Depois de ter cumprido o meu dever, um trabalho que começou sexta e só terminou hoje à tardinha, resolvi ir ao cinema. Ia assistir "Hércules 56", documentário sobre a troca dos presos políticos pelo embaixador alemão, no cinema do Museu, meu preferido. Quando vou confirmar no cineinsite vejo, desolada, que excepcionalmente hoje não haveria a sessão de 20:45, a única que ainda daria tempo de pegar. Não suporto frustração. Eu quero pouco, eu quero dizer, eu não quero coisas difíceis, mas quando eu quero, eu quero muito. Já li que um sinal de maturidade é a capacidade de aguentar frustrações. Se for me basear nesse critério, sou a pessoa mais imatura do mundo. Qualquer frustração, por mais besta que seja, me tira do sério. Resolvo ver outras possibilidades de filmes, irritadíssima, quando me deparo com "Santiago" na Sala de Arte da UFBa. Outro defeito meu: sou avessa a lugares novos, pô, o cinema do museu é tão charmosinho, aquele café, imagino o que não deve ser essa tal sala de cinema da UFBa! pensei, cá com os meus botões. Mas João Moreira Salles merece qualquer sacrifício, continuei pensando, e estava mesmo muito a fim de ver esse filme que ele fez sobre um mordomo que serviu à sua família por 30 anos.
Lá fui eu! Lugar novo = trajeto novo, possibilidade de retorno duvidosa, estacionamento desconhecido, continuei irritada. Tudo isso foi facilmente contornável e cheguei ao local. Uma boa surpresa! Um mural lindo, iluminado, me dá boas-vindas. Estacionamento facílimo! Outra boa surpresa: o café charmosinho também existe lá. E a melhor e mais gratificante surpresa da noite: o filme.
Só para tirar onda, conheço João Moreira Salles desde o tempo em que ele escrevia para o NO (antes desse virar nomínimo, de saudosa memória!). A onda começa agora: tive a cara de pau de mandar para ele um trabalho de arte que fiz para concorrer ao Salão do MAM da Bahia em 2000. Meu trabalho foi recusado, mas eu gostava muito e queria a opinião de alguém abalizado. Mais abalizado que João impossível, ele tinha uma coluna de crítica de arte no NO e eu não perdia uma. Maior não foi a minha surpresa ao receber um email dele, maravilhoso, do qual sobraram vestígios na minha confusa memória, nem de longe tão surpreendente como a de Santiago, o mordomo do filme. Dizia mais ou menos assim: "O que esses jurados do MAM pensam? Que vão encontrar um Boticceli em cada esquina? Seu trabalho reúne duas qualidades raras: Concisão e Eloquência". Pronto! Ganhei muito mais que qualquer prêmio do MAM poderia me dar. Um elogio pessoal de João. Depois ele ficou como convidado do nomínimo, muito espaçadamente escrevia, para minha tristeza. Ensaiei algumas vezes ver o documentário que fez sobre as últimas semanas da campanha de Lula, Entreatos, mas nunca levei a cabo. Até que agora aparece esse deslumbre de filme chamado, simplesmente, Santiago.
É daqueles filmes que se sai do cinema com a enlevada sensação de que valeu a pena ter vivido só para ter o privilégio de ver uma obra dessas. Uma obra rara, de uma simplicidade e delicadeza quase singulares.
Ele tentou fazer o filme há 13 anos, fez o roteiro e algumas cenas com Santiago, mas depois não concluiu, até que uma amiga resolveu ajudá-lo a dar um destino a tão original enredo. E é exatamente o que ele faz: contar pra gente o que ele tinha pensado, porque tal cena era assim, memórias da sua infância atravessadas pelo olhar e pela genuína riqueza interior de Santiago. Amante de castanholas e de dinastias as mais diversas, 30 mil páginas escritas, Santiago pôde, com essas escolhas, livrar-se da melancolia de uma vida que não tem mesmo sentido, na opinião de meu amigo João. Sorry, periferia!

sábado, 29 de setembro de 2007

Opinião de Caio Blinder/Nova York

China é a grande cúmplice dos generais de Mianmá
28/09 - 07:27 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK- Em nome dos seus interesses estratégicos e econômicos, a China é um país reacionário, avesso a necessárias mudanças de regime e capaz de se aliar com governos abjetos como a junta militar em Mianmá -que está matando monges budistas e outros manifestantes pró-democracia. Vou repetir: o país reacionário é a China e não os habituais suspeitos habituais ocidentais, a começar os EUA. O governo Bush desta vez está realmente no lado certo da história com suas denúncias e pressões contra um bando de corruptos trogloditas fardados no sudeste asiático.


Mas esta escalada de violência no país vizinho também representa um desafio ao regime chinês, preocupado em forjar uma nova imagem internacional como um "acionista responsável" da ordem mundial, para usar a expressão de Robert Zoellick, hoje presidente do Banco Mundial e que negociou muito com a China quando atuava na diplomacia do governo Bush.

O mundo civilizado espera uma atitude da China. Na quinta-feira, Bush recebeu o ministro das Relações Exteriores chinês, Yang Jiechi, para uma reunião não-programada na Casa Branca para dar um recado: Pequim deve "usar sua influência" para forçar os militares de Mianmá a promover uma transição para a democracia.

Após lavar as mãos no começo da crise dizendo ser contra a interferência em assuntos internos, Pequim agora faz um pouco de média. Pede que "todas as partes" se contenham, ou seja, tanto os brutamontes armados, como os monges pacifistas.

A incompetência dos militares de Mianmá perturba os chineses mais do que sua brutalidade. Para a China, desenvolvimento e estabilidade são mais importantes do que democracia. O fundamental é que o vizinho garanta os suprimentos energéticos para a China superemergente. O problema é que os governantes de Mianmá transformaram um país com ricos recursos naturais no mais miserável do sudeste asiático. Ali na fronteira chinesa, existe uma fonte de instabilidade.

Os chineses começam a entender que precisam carregar uma parte da carga da governança global e não apenas pegar carona, assegurar seu acesso a recursos energéticos e matérias primas e denunciar os vexames da política externa americana. Hoje os chineses cooperam na luta antiterrorista e finalmente concordaram em participar das operações de pacificação na região sudanesa de Darfur, palco de um genocídio, ao invés de se preocuparem apenas em descolar petróleo.

Aliás, a relutância chinesa para apoiar a intervenção na África (contra os interesses do seu aliado, o governo do Sudão) fez com que fossem lançadas campanhas nos EUA e Europa de boicote aos jogos olímpicos de Pequim em 2008. Os chineses não querem que as túnicas cor de alçafrão ensaguentadas dos monges budistas manchem ainda mais sua imagem quando se empenham em ganhar medalha de ouro de responsabilidade com as Olimpíadas do ano que vem. Só falta combinar a tática com os generais de Mianmá.

E o pau continua comendo em Mianmar!

Para quem está estranhando e nunca ouviu falar de Mianmar, é a antiga Birmânia que mudou de nome. As notícias que conseguem vazar são as piores possíveis! Parece que já passam de 200 os mortos nos conflitos de rua num verdadeiro massacre perpetrado pelos militares. Os monges já não são vistos, parece que todos os mosteiros estão ocupados por militares e que estariam em verdadeiros campos de concentração no interior do país. A China, país vizinho, já está preocupada com os jogos olímpicos, de como será a repercussão disso no mundo todo. O Japão, que teve um jornalista assassinado em frente às câmaras, mandou representante oficial para apurar os fatos. O regime militar, em diferentes fases, existe há 40 anos. É um regime autoritário, com pequenas fases de abertura, mas violento, parecido com os períodos de ditadura militar no Brasil, mas dentro de uma cultura diferente, numa sociedade budista. Tirando as diferenças culturais, é um regime militar autoritário como qualquer outro. Agora todo o contato por internet está bloqueado, com boatos de que os militares estariam usando vírus em blogs. É inconcebível que atrocidades desse tipo ainda tenham lugar em nossos dias. E a nossa inoperante política externa nem um piu!

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Monges e população protestam em Mianmar

Imagens do protesto de Mianmar, já conhecida como a "revolução açafrão" devido às cores vermelho e laranja das roupas dos monges

Celular e blogs viram "armas" em Mianmar


Da AFP

Graças às novas tecnologias da comunicação, as manifestações contra o regime militar em Mianmar são acompanhadas por todo o mundo, ao contrário do ocorrido em 1988, antes da internet, quando poucas informações sobre a sangrenta repressão "vazaram" para o resto do planeta.

A onda de protestos mantém semelhanças com o movimento pela democracia de agosto de 1988, que os militares abafaram com armas e que deixou cerca de 3.000 mortos.

Como há 20 anos, também agora o povo saiu às ruas por reivindicações de ordem econômica em um país onde uma família em cada quatro vive abaixo da linha de pobreza.

Mas ao contrário de 1988, as imagens e as informações procedentes de telefones celulares, câmeras de vídeo digitais e blogs na internet que conseguem passar pelas redes de censura do governo, permitem levar ao mundo o testemunho dos acontecimentos.

"Graças à tecnologia, a situação é completamente diferente. Todos, em todo o mundo, podem acompanhar graças à internet o que acontece em Mianmar", afirmou Said Win, chefe de redação do "Mizzima News", um grupo de comunicação com sede na Índia e dirigido por birmaneses no exílio.

"É realmente o resultado da globalização. Queira a junta ou não, o governo já não pode isolar o país do restante do mundo", acrescenta.

No entanto, desde o início dos protestos contra o aumento dos preços dos transportes públicos, o regime militar reduziu consideravelmente o acesso à internet.

Mas cerca de 200 cafés virtuais continuam funcionando em Yangun, a maior cidade do país, permitindo que os estudantes transmitam vídeos e fotos tiradas com seus telefones celulares e câmeras digitais.

"Os jovens sabem como escapar do controle na internet. Recebemos imagens não só de Yangun como também de Mandaly", segunda maior cidade do país, explica Aung Din, diretor da US Campaign For Burma, grupo de oposição ao regime militar com sede em Washington.

Saiba mais

» Polícia prende 100 monges budistas em mosteiro de Mianmar

» Após mortes de monges, ONU enviará representante a Mianmar

» Confrontos com soldados deixam dois monges mortos em Mianmar

Aung Din, que participou das manifestações de 1988, constata uma enorme diferença. "Em 1988, não tínhamos estes meios, especialmente a internet, para fazer com que as mensagens deixassem Mianmar. Ninguém na comunidade internacional estava ciente das primeiras manifestações. Desta vez, todo mundo está informado", afirma.

A "Gazette de Mandalay", com sede na Califórnia, também recebeu dezenas de fotografias e vídeos enviados de Mianmar, país classificado pelas Nações Unidas entre os 20 mais pobres do mundo, que vive sob o jugo dos militares desde 1962.

"Tanto os monges budistas como os estudantes utilizam seus telefones celulares para nos enviar fotos. De certa forma, a internet elimina as diferenças" entre eles, considera um jornalista da Gazette, que solicitou o anonimato.

Para a associação Repórteres Sem Fronteiras, Mianmar, "paraíso dos censores", é um dos países do mundo onde há menos liberdade de imprensa.

(Aqui termina a notícia da AFP) Agora comentário de "cacos": E a nossa tíbia política externa, na figura daquela inoperância chamada Amorim, não quis indicar na ONU sanções para os militares de Mianmar, alegando que o que se pode fazer é fortalecer a democracia. Ah, tá!

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Uma ovelha. Nem negra, nem desgarrada.




Querem fazer de nós um rebanho de cordeiros que não berram ao ir para o matadouro.
Péra aí! sujeito oculto: eles.
Eles quem? Os pensadores da falida política da verticalidade, da representação.
Parece, para "eles", que não há outro caminho possível, depois da "derrocada" do século XX (campos de extermínio e armas nucleares). Olvidam (gostaram do olvidam?) Tá bom, esquecem, parece que de propósito, que toda a tecnociência com fins bélicos um dia se "civiliza", na feliz definição de Paulo Sérgio Duarte, quer dizer, vem servir aos civis.
Comigo não, violão! Não sou mais cabrito, aliás nem sou mais cabrita, sou uma ovelha a pastar num campo sem cercas, berrando baixinho de vez em quando, só para não me esquecer de todo a minha natureza de ovelha.
A Internet, por exemplo, só para ficar num campo mais próximo, foi desenvolvida para fins militares, no auge da guerra fria. Hoje é esse território livre que todos conhecemos, possibilitando dar vez e voz a uma multidão cada vez mais crescente, "monstruosa" mesmo, no dizer de Ivana Bentes, de singularidades. E tome-lhe criatividade, engenhosidade humana desenvolvendo novos e surpreendentes desdobramentos e possibilidades.
O menino de 17 anos que desbloqueou o I-phone, por exemplo, é um ícone desses novos tempos de inusitadas revelações.
"Eles" querem política? Então, tá. Um adolescente na frente de um computador, eis a nova célula revolucionária.

O mundo fica mais triste sem Marcel Marceau!




Lamento informar, senhores, mas perdemos o grande mímico francês Marcel Marceau, domingo, dia 23, aos 84 anos. Participante da resistência francesa, Marcel ficou mesmo conhecido como um original mímico, que conseguia se comunicar com todo o planeta através da sua elegante arte. Segundo um obituário, "O homem preso pelo silêncio. O mais eloqüente de todos os discursos". Saudades...

domingo, 23 de setembro de 2007

continuando...

Diante de tanta informação do seminário, acabei por descobrir muita coisa interessante, com a ajuda do "santo google" como diz Millôr, como o "Manifesto pela Metade" de Jaron Lanier, dêem uma olhada para vcs verem o q se discute hoje como perspectiva da cibercultura. Até em totalitarismo cibernético já se fala, ou seja, é um campo aberto a muitas e algumas delirantes projeções, de como serão os computadores do futuro, se a inteligência artificial superará a humana, enfim, temas do mais relevante interesse. Esse cara, o Jaron, com o seu irônico "Manifesto pela metade", irônico até no nome, é incisivo quanto às loucuras que se cometem em nome da cibercultura. Eu adorei, apesar de desconhecer um grande número de cientistas q ele citou, assim como desconhecia a Lei de Turing e o seu famoso experimento imaginário. "É pedido a um juiz humano que determine qual entre dois respondedores é humano, e qual é uma máquina. Se o juiz não souber, Turing afirma que se deverá considerar que o computador alcançou o status moral e intelectual de um ser humano". Tudo isso está lá, no Manifesto pela Metade. Aconselho a leitura e uma vagarosa digestão, porque tem pano para várias mangas. Fica aqui um convite para reflexões...

sábado, 22 de setembro de 2007

Nietzsche e a Arte

Até que enfim um alívio para as minhas expectativas! Ontem o seminário foi sobre "As duas mutações de Nietzsche", segundo o resumo "...a transvolaração de todos os valores, ou seja, a auto-supressão da moral socrático-platônico-cristã, ensejando o resgate da inocência do vir-a-ser, para além de toda culpa e expiação." O palestrante, Oswaldo Giacoia Júnior, professor de Filosofia, elegantérrimo, de uma finíssima perspectiva intelectual, trouxe-nos uma difícil mas instigante possibilidade de auto-determinação, para além do bem e do mal, humano, demasiado humano, há tantas auroras que não brilharam ainda! Isso é que é visão solar.
E hoje, sexta, tivemos a feliz apresentação de um crítico de arte, Paulo Sérgio Duarte, com o tema "Metamorfoses da Visibilidade", simplesmente fantástico! Mostrando as diversas mutações que a arte já enfrentou, o quanto isso deve ser visto como camadas geológicas, onde a mais recente não é melhor nem pior que a anterior, apenas veio depois. Falou também, até que enfim alguém tinha que falar disso nesse seminário, sobre os novos paradigmas que têm que ser construídos agora, num momento histórico onde cada vez mais o trabalho intelectual substitui o trabalho manual, a mais-valia deixa de ter importância, o próprio movimento sindical, em função disso, se enfraquece, e temos q pensar novas formas de fazer política. A progressiva perda de poder do Estado-nação, na medida em que qualquer investidor hoje pode, do seu computador, resolver se investe em Hong-Kong ou em qualquer outro país, o fluxo de capitais, o fluxo de pessoas, cada vez mais fora do controle dos Estados-nação q têm q ser repensados. É isso aí, Mutações agora toma um outro sentido. Felizmente!

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Greve!

Hoje, deliberadamente, não fui ao Seminário "Mutações", motivo de comentário do minha última postagem. Já estava insatisfeita com o rumo que as coisas estavam tomando naquele ambiente, uma falta de perspectiva total, pessimismo metafísico elevado ao seu último grau, até que resolvo ler sobre a palestra que haveria hoje, quarta. "As mutações do poder e os limites do humano", por Newton Bignotto, prof. de filosofia da UFMG. O resumo: "A partir dos relatos de sobreviventes dos regimes totalitários contemporâneos se podem mapear os caminhos da bestial descida aos infernos sem a perspectiva do paraíso". Deus é mais! como se diz por aqui. Prefiro a esperança de Caetano quando fala "não espero o dia em que todos os homens concordem, apenas sei de diversas harmonias possíveis sem juízo final".
Amanhã, cujo tema será "As duas mutações de Nietzsche", com Oswaldo Giacoia Júnior promete ser mais animado e eu vou. Qualquer coisa, desabafo aqui.

Ainda Mutações!

Esse seminário ainda vai acabar comigo! A palestra hoje foi com Franklin Leopoldo Silva, prof. do Depto. de Filosofia da USP. Baseado em Bergson e Sartre, passando rapidamente por Marx, o palestrante nos deu um quadro sombrio de presente e quase assustador de futuro. Disse q o progresso, considerado no século XIX como a salvação da humanidade, foi desmentido por todo o século XX, e q hoje, o acúmulo quantitativo de tecnologias gera indiferença e homogeneidade, fala de um verdadeiro tédio do progresso, já que as novidades não são mais que previsíveis e rapidamente superadas por outras. A tecnociência a serviço do poder bélico impõe-nos um totalitarismo de fato. A democracia formal, destituída de ideologias (possibilidades de crenças) não faz mais q estabelecer o desaparecimento da política. Terminou com uma frase de Walter Benjamin que chegaria um tempo onde "tudo é sempre novo e sempre igual". Não aguentei e fiz uma pergunta. Claro q muito cuidadosamente, para não ferir susceptibilidades, mas inverti quase tudo do q ele disse, propondo outra via para se pensar nesse "acúmulo quantitativo" não como um gerador de indiferença e tédio, mas de progressiva inclusão social. Citei um outro palestrante que trouxe os avanços da nanotecnologia, com um vídeo onde mostra um paciente totalmente paralisado que conseguia operar um computador apenas com o cérebro. É isso mesmo! não era com o olhar ou com o alfabeto do físico Stephen Hawkings, q é fantástico mas não é novidade, mas com o cérebro mesmo, ele pensa e o computador responde. Uma coisa fascinante, uma máquina de ler pensamentos. Citei também o menino de 17 anos que conseguiu quebrar o bloqueio do I-phone, antes de ser lançado, como uma prova da engenhosidade humana ilimitada, capacidade criativa inesgotável, e é claro que isso servirá a toda a humanidade, de um jeito ou de outro (aqui acaba minha pergunta), basta pensarmos (isso eu não incluí na pergunta) que morríamos de tuberculose, além da sífilis, é claro. São visíveis os ganhos para a humanidade dos progressos científicos, do aumento da longevidade, da diminuição da mortalidade infantil, apesar de ainda termos que conviver com dramáticas situações de miséria e mortes por fome, além de guerras absurdas e levadas a cabo por interesses energéticos. Mas a ciência está aí para nos fazer melhores e a criativade humana para pensar rapidamente numa alternativa energética menos devastadora do que essa do petróleo, para dar um fim a esse inferno vivo q é o oriente médio. Sem contar os problemas religiosos, mas a humanidade chegará à maturidade de não precisar brigar mais para ver de quem é o deus melhor. Terminada minha pergunta, lá em cima, o prof. severamente respondeu-me: "Não estamos melhores. Esse era o pensamento do século XIX, veja o exemplo fracassado das cidades, por exemplo, com sua horda de excluídos. Os periféricos hoje já buscam se organizar e escolher o q devem ou não, o q querem ou não para suas realidades, não querem repetir os padrões da classe média, e isso é um avanço, mas muito pontual. Como vc sabe, o sistema é muito poderoso e coopta tudo, até os movimentos de resistência (veja os punks de boutique, parênteses meu)". Fiquei insatisfeita, é claro, com a sua resposta, primeiro por ele priorizar a política, a velha e vertical política como apanágio para todos os males. Se não estivéssemos indeferentes à política, segundo ele, essas coisas não estariam acontecendo. Acabei de escrever um post sobre política e poder, no caso Renan, e não gostaria aqui de repetir isso. Apenas salientar as possibilidades de um exercício de poder cada vez mais horizontal, no lugar da ditadura do pensamento único ou de democracias falidas. O engraçado é q eu sempre digo, arrogantemente, q nasci no século errado, pensando q seria melhor nascer lá pelo século 42, ou algo assim, e fui mandada de volta para o século XIX, sem o menor escrúpulo, pelo professor. Com exceção da palestra do prof. Jean-Pierre Dupuy "a fabricação do homem e da natureza", que tratou da Nanotecnologia, parece q não estou num seminário sobre Mutaçoes, mas sobre Melancolias de Sistemas Ultrapassados, cujos paradigmas já não servem para dar conta da nossa realidade.

domingo, 16 de setembro de 2007

outras idéias/Heinz von Forster

Tive contato com esse curioso teórico no seminário "Mutações: novas configurações do mundo" Cultura e pensamento em tempos de incerteza, promovido pela Fundação Pedro Calmon e idealizado por Adauto Novaes. Valeu, entre outras coisas, por conhecer, com a ajuda do google mais tarde, aspectos paradoxais do pensamento desse cara, criador da cibernética da segunda ordem. Foi organizado em Viena, em 2003, um Congresso com base em 3 imperativos éticos formulados por Heinz von Förster (um em cada dia): 1) 'Se queres permanecer o mesmo, mude'; 2) 'Se queres ver, aprenda a agir' e 3) 'Aja sempre de modo a aumentar o número de possibilidades'.
Voltarei a comentar sobre esse seminário quando terminar (ainda estamos no meio do encontro).

Renan, assunto inevitável!

Eu vinha pensando cá com os meus botões, depois do escândalo da absolvição de Renan, o ridículo que é essa política de representação. Não me sinto representada por nenhum daqueles calhordas que o absolveram, nem pelos q se abstiveram e nem tampouco pelos q o condenaram. Simplesmente porque acho q a vida real passa ao largo do senado, do congresso, dessa falida política de representação. Não me canso de repetir a frase de Pierre Levy: "Os políticos têm a importância q a gente dá a eles". Aparece sempre um "politizado" para retrucar: "Ora, tudo é política". Acho q não, tudo é poder, e hoje a horizontalidade do poder, cada vez mais tomando o lugar da antiga e ultrapassada verticalidade, abre caminhos para novos exercícios. O uso de veículos como a internet, por exemplo, dá voz a uma "monstruosa junção de singularidades" para repetir a linda frase de Ivana Bentes no Seminário "A Constituição do comum" promovido há pouco pela Facom. Achava-me solitária e delirante até ler a última página de Pompeu Toledo, na Veja, intitulada "Pra que Senado?", onde ele aponta a existência de vários países q simplesmente não têm Senado. Vamos chegar ao ponto de não termos políticos de nenhuma espécie, nem congresso, nem câmara de vereadores, nem executivo, porque, na prática, essas instâncias hoje pouco ou nada apitam, num mundo economicamente globalizado e culturalmente muito diversificado, com enorme fluxo de pessoas e desterritorialização exacerbada. Que identidade ainda é possível nesse mundo? Se interroga a revista Global Brasil, da Universidade Nômade, da qual Ivana Bentes faz parte. Uma identidade cada vez mais provisória, mas que, ao mesmo tempo, exige cada vez mais a responsabilidade pela criação de si.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

outros poemas/Aloysio Falcão

SHEIK

Cão, todo menino,
fragilmente poodle.
Mácula na impura íris,
fuçando carinho na escuridão.

Farejando tão fundo,
tropeçando caminhos,
criança sem rumo,
só muro, sem prumo.

E cá, no chão, impedido,
patas, coração esbarrando afagos,
parando.
Sheik, cachorro cego,
criança,
sem aurora nem poente,
carente,
nunca latiu esperança.

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domingo, 2 de setembro de 2007

outros blogs/marcia rodrigues

USANDO O CÉREBRO 2

Se você conseguir ler as primeiras palavras o cérebro decifrará automaticamente as outras...

3M D14 D3 V3R40, 3574V4 N4 PR414, 0853RV4ND0 DU45 CR14NC45 8R1NC4ND0 N4 4R314. 3L45 7R484LH4V4M MU170 C0N57RU1ND0 UM C4573L0 D3 4R314, C0M 70RR35, P4554R3L45 3 P4554G3NS 1N73RN45. QU4ND0 3575V4M QU453 4C484ND0, V310 UM4 0ND4 3 D357RU1U 7UD0, R3DU21ND0 0 C4573L0 4 UM M0N73 D3 4R314 3 35PUM4.
4CH31 QU3, D3P015 D3 74N70 35F0RC0 3 CU1D4D0, 45 CR14NC45 C41R14M N0 CH0R0, C0RR3R4M P3L4 PR414, FUG1ND0 D4 4GU4, R1ND0 D3 M405 D4D45 3 C0M3C4R4M 4 C0N57RU1R 0U7R0 C4573L0. C0MPR33ND1 QU3 H4V14 4PR3ND1D0 UM4 GR4ND3 L1C40; G4574M05 MU170 73MP0 D4 N0554 V1D4 C0N57RU1ND0 4LGUM4 C0154 3 M415 C3D0 0U M415 74RD3, UM4 0ND4 P0D3R4 V1R 3 D357RU1R 7UD0 0 QU3 L3V4M05 74N70 73MP0 P4R4 C0N57RU1R. M45 QU4ND0 1550 4C0N73C3R 50M3N73 4QU3L3 QU3 73M 45 M405 D3 4LGU3M P4R4 53GUR4R, 53R4 C4P42 D3 50RR1R! S0 0 QU3 P3RM4N3C3 3 4 4M124D3, 0 4M0R 3 C4R1NH0.



0 R3570 3 F3170 D3 4R314

reflexões sobre um furto II



Aconteceu uma coisa tão inacreditável comigo que estou a me indagar se fui furtada mesmo ou estou a delirar, como na charge! Depois do registro aqui da minha desventura na volta do show de gal, com o título de "Reflexões sobre um furto", já tinha marcado no SAC para tirar todas as segundas vias dos documentos, pois os cartões, claro, já os tinha cancelado.
Pois não é que resolvi ligar para a Delegacia de Atendimento ao Turista para saber se haviam encontrado algum documento meu, só naquela de não dizer q não tentei. Pois bem, fui informada q lá não havia nada, mas q deveria dirigir-me ao 18 Batalhão, ao lado do Plano Inclinado, na Praça da Sé. Qual não foi minha decepção ao encontrar uma recepcionista pachorrenta, costurando, sem a menor vontade de me ouvir, qdo perguntei se tinham encontrado algum documento meu. Levei o Boletim de Ocorrência e o Passaporte, q foi o único documento de identificação q estava a salvo, pensando tratar-se de uma coisa séria. A senhora olhou-me como a uma extra-terrestre e disse, bem baianamente: "Tem um saco aqui, se você quiser procurar!". E entregou-me um saco plástico imundo, pesando mais ou menos dois quilos, de documentos perdidos. Quase caio de quatro. Pensei: Nunca vou achar nada meu aqui, esses incompetentes! Mas como tinha ido lá pra fazer isso, decidi-me a procurar (sozinha, sem a ajuda da recepcionista) meus documentos. Minha sorte foi que lá pelo quinquagésimo documento procurado encontrei minha Identidade. Pirei! Se a identidade está aqui, o resto também pode estar, e dediquei-me com mais afinco à inicialmente inócua procura. Resultado: achei TODOS os meus documentos, inclusive o IPVA, documento do veículo. Saí com uma dúvida cruel: será isso um demonstrativo da seriedade dos nossos policiais ou, ao contrário, a prova de que agem em conluio com os assaltantes para a divisão do roubo, sabe como é, um faz de conta q não viu nada, enquanto o outro age e depois repartem os lucros? Importante divulgar q no 18 batalhão há uma infinidade de documentos perdidos, de todos os tipos, carteiras de trabalho, tudo q se possa imaginar, portanto se alguém for assaltado nas imediações do Pelourinho, Salvador, não perca tempo e dirija-se ao 18. Batalhão. Blog também é utilidade pública!

outras idéias/Henry Miller


"Para mim, veja, os artistas, os sábios, os filósofos, trabalham duramente polindo lentes. Um dia essa lente será perfeita; nesse dia todos perceberemos com clareza a assombrosa, a extraordinária beleza deste mundo". Henry Miller

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Outros blogs/Eterno Millôr

"O Labirinto de Borges


Borges em seu labirinto. Labirinto que, além de seu mistério natural e ancestral, ganhou aqui, na composição, a profundidade misteriosa de livros, livros, livros - a biblioteca real e mística de Borges. A limitação do infinito. Em nome disso traduzi este poema de Borges. Não deixe de ler.

Millôr


LIMITES

De todas as ruas que escurecem ao pôr-do-sol,
deve haver uma (qual, eu não sei dizer)
em que já passei pela última vez
sem perceber, refém daquele Alguém

que, com antecedência, fixa leis onipotentes,
ajusta uma balança secreta e inflexível
para todas as sombras, formas e sonhos
tecidos na textura desta vida.

Se há um limite para todas as coisas e uma medida
e uma última vez, e nada mais, e esquecimento,
quem nos dirá a quem nesta casa
nós, sem saber, já dissemos adeus?

Pela janela que amanhece a noite se retira
e entre os livros empilhados que lançam
sombras irregulares na mesa baça,
deve haver um que eu jamais lerei.

Há uma porta que você fechou pra sempre
e algum espelho o esperará em vão;
para você as encruzilhadas parecem muito amplas,
mas há um Janus, vigiando você, nos quatro cantos.

Há uma entre todas tuas memórias
que agora está perdida além da evocação.
Você não será visto descendo àquela fonte,
seja à luz do sol claro, nem sob a lua amarela.

Você nunca recapturará o que o Persa
disse em seu idioma tecido com pássaros e rosas,
quando, ao pôr-do-sol, antes que a luz disperse,
você quer pôr em palavras tanto inesquecível.

E o Rhone fluindo sem parar, e o lago,
todo esse vasto ontem sobre o qual me curvo hoje?
Estará tudo tão perdido como Cartago,
queimada pelos romanos com fogo e sal.

Ao amanhecer parece ouvir o turbulento
murmúrio de multidões crescendo e dissolvendo;
tudo por que fui amado, esquecido,
espaço, tempo, e Borges, estão me deixando agora".

leia também "Arrabalde"

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Reflexões sobre um furto

Um rapaz magro, alto, de uns 16 anos surrupiou-me a bolsa num ponto de ônibus na rua Chile, voltando do show de Gal Costa, por volta de 22:50. Primeiro o susto, a impotência, dar-me conta que em vez de pegar o ônibus e voltar pra casa, teria que ir a uma delegacia prestar queixa. Estava com uns amigos (dois homens), que ainda tentaram alcançar o rapaz, em vão. Voltaram desculpando-se por não terem conseguido. Apareceram dois policiais (incrível como parece tudo arquitetado, na hora não tinha policial nenhum) que me sugeriram ir à delegacia do Terreiro de Jesus. Pedi (achei q estava na Suiça) para me levarem lá, mas estavam sem viatura. Fui a pé, com duas amigas. Na Praça da Sé encontramos três guardas, contei-lhes o ocorrido e me disseram que eu teria que ir aos Barris, porque a delegacia do Terreiro só atende a turistas. Não acreditei! Quer dizer q baiano não pode ser assaltado naquela região? Insisti e fomos à delegacia de atendimento ao turista (chama assim). Três pessoas estavam prestando queixa de assaltos, mas logo, surpreendentemente, fui bem atendida por um policial civil que se queixou e me perguntou se tinha lido o jornal do dia, onde noticiavam a soltura de 140 ladrões por falta de espaço no sistema presidiário. Segundo ele, os ladrões presos (quando o são) gozam com a cara deles, porque sabem q logo serão soltos, inclusive por advogados q os atendem de graça, para serem pagos depois, com o lucro dos assaltos. Registrada a queixa, pegamos um taxi e logo o assunto voltou, o taxista disse-me que eles sabem a hora de troca de guarda, o q em tese já é um absurdo, porque não deveria ficar em aberto hora nenhuma. Gostei da minha reação. Não fui agredida fisicamente, nenhum arranhão, nada, apenas fiquei sem a bolsa q continha um celular legal e meus óculos de grau, além de cartões, facilmente bloqueáveis.
Fiquei puta com a corrupção que é, no final das contas, a grande responsável por situações como essa. Se os bilhões de reais que correm pelo ralo e nunca, NUNCA são devolvidos aos cofres públicos, se esse dinheiro fosse aplicado em educação, saúde, emprego, certamente esse rapaz não precisaria correr o risco de se expor a um furto tão pouco lucrativo para ele, com exceção de um celular q deve ter vendido na primeira esquina por uma mixaria para cheirar cola ou fumar crack. Não custa insistir que a Polícia Federal RECUSOU o prêmio de cinco milhões de dólares pela prisão do traficante colombiano Abadia. Já comentei isso aqui, o quanto esse dinheiro poderia ser usado não para construção de presídios (que é o atestado da incompetência da segurança pública brasileira) mas para a recuperação de jovens cooptados pelo tráfico como a única possibilidade de ascenção social e massacrados pela mídia para terem o tênis da moda ou a moto possante.
Quando é q teremos punição para os corruptos e devolução do dinheiro público, e aplicação correta da CPMF? Sei não!!!

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

A evolução cultural/Pierre Levy (parte 3)

Dois argumentos me forçam a recolocar em questão a pretensa oposição do capitalismo e da democracia e a apreciação negativa do papel do ciberespaço na relação entre a "lei" do mercado e a da cidade.
Primeiro: faz valer o desenvolvimento notável de uma nova esfera pública sobre a internet e a argumentação correlativa das possibilidades de informação, livre expressão, discussão da cidadania e coordenação autônoma dos movimentos políticos e sociais.
As cidades digitais aperfeiçoam a democracia local. As ágoras virtuais renovam as formas da deliberação e debate político. Os e-governos devolvem às administrações públicas mais transparência para os cidadãos. Se as ditaduras temem tanto a internet é simplesmente porque ela representa um vetor de transparência, de liberdade e de democracia que lhes ameaça diretamente.
Segundo: A perspectiva de um governo democrático planetário, no qual a mundialização econômica constitui precisamente a locomotiva. A unidade ecológica, científica, técnica, mediática, comercial e financeira da Terra tornam-se de tal modo palpável que terminaremos, segundo as modalidades e os prazos difíceis de prever, por instaurar uma lei democrática mundial a fim de regular e equilibrar processos em si mesmos planetários. O capitalismo unificado define por sua escala mundial as leis locais, fragmentadas, diversas e portanto parcialmente impotentes de múltiplos estados-nação provenientes da civilização da imprensa. Mas essa definição assusta o caminho à cidade universal da civilização do computador. O capitalismo mundial, longe de se opor, clama uma lei planetária, uma ciberdemocracia altamente participativa ligada ao novo espaço público da web.

A evolução cultural (parte 2)

Em termos de poder, o campo político planetário se polariza em dois campos principais: de um lado os mundialistas, isto é, o governo dos EUA e seus aliados. Este campo tem de seu lado o poder tecnológico, econômico, militar, a força cultural das grandes mídias comerciais e, sobretudo, o apetite de prosperidade, de consumo e de comunicação da imensa massa da população mundial, quaisquer que sejam seus ideais políticos. Do outro lado, encontram-se os governos e os movimentos sociais que se opõem à mundialização sob hegemonia americana. Nesse campo é necessário notar que os governos são geralmente não - ou pouco - democráticos.


Imaginemos a esse propósito uma mundialização que não seja feita pela liberdade de comércio e de comunicação. Uma mundialização sob comando nazista ou soviético ou comunista chinês, por exemplo.


De outro lado, os movimentos de base anti-mundialista como Europa, Ásia-Pacífico desenvolvida e Estados Unidos. Uma importante parte das elites culturais são partidários às teses de "oposição" à mundialização, quer dizer, uma verdadeira oposição no quadro político contemporâneo.


Sobre o plano das idéias os mundialistas favorecem o progresso técnico, principalmente esse da Internet, abertura de mercados, o capitalismo, a democracia e os direitos humanos. Os anti-mundialistas, ideologicamente menos homogêneos, militam geralmente pela defesa das identidades nacionais, são geralmente anti-americanos, não gostam do capitalismo e são a favor da manutenção do papel do estado na economia e o controle das desigualdades sociais. Dir-se-á que os mundialistas insistem sobre valores de liberdade e universalidade, ao passo que os anti-mundialistas insistem sobre valores de igualdade e diversidade. A priori, esses dois conjuntos de valores são mais complementares que opostos. A luta, geralmente violenta, entre os dois partidos, é talvez a aparência local, particular e momentânea disto que poderá representar uma certa forma de equilíbrio dinâmico, se nós aceitamos fazer um esforço para perceber a evolução da situação em uma escala mais vasta.


Nesta perspectiva simplista, a mundialização econômica e financeira parece representar o triunfo do mercado sobre a democracia. O desenvolvimento de todas as formas de comércio e de transação financeira num ciberespaço desterritorializado, esta pretensa vitória do mercado sobre a democracia e esta proporcionalmente maior que as leis (forçosamente nacionais) parecem não mais poder se aplicar. Mas este esquema é muito grosseiro. Estou convencido que a denúncia e a crítica dos excessos e abusos das grandes multinacionais é útil e necessária.


Visto que os atos são orientados para o lucro material sem se importar com os direitos das pessoas e sem nenhuma compaixão pelo próximo, é justo que eles sejam postos em evidência e acusados pelas leis. A liberdade de expressão e a facilidade de informação permitida pela internet vão por outro lado precisamente nesta (boa) direção.
(segue parte 3 no próximo post).

terça-feira, 21 de agosto de 2007

A evolução cultural/Pierre Levy

(na época em que trocava emails com Pierre Levy, recebi esse texto em francês e traduzi trechos que considero importantes. Como é um texto grande, vou publicando aos poucos).

Apesar da globalização da informação, não existe um consenso planetário, ao contrário, a opinião é dividida entre os prós e os contras, os partidários e os opositores. É essa dinâmica conflitual que faz a opinião pública viva. O que unifica a opinião pública não são as idéias nem as posições políticas, mas seus objetos de atenção - guerras, catástrofes, eleições ou troca de regimes, os jogos olímpicos, as copas.
Para Marshall McLuhan há o desenvolvimento progressivo de uma consciência política global (ainda que conflituada) como fruto das mídias eletrônicas e todas as formas de interconexão: fluxo de pessoas, de mercadorias, de dinheiro, de técnicas.
A novidade da internet na mundialização da política reside, principalmente, na possibilidade para os movimentos de oposição ou para as organizações ativistas de se organizarem e de se coordenarem em tempo real em uma escala planetária. A verdadeira inovação consiste na flexibilidade e na facilidade dos processos de coordenação.
Não se tem mais necessidade de se organizar burocraticamente, hierarquicamente. Peter Waterman fala da passagem de um internacionalismo organizacional a um internacionalismo comunicacional.
Manifestações pontuais, organizadas em rede, demandam menos tempo e dinheiro e são mais eficazes. Manifestações contra a OMC, FMI, Banco Mundial, símbolos da "globalização selvagem neoliberal" são exemplos os mais impressionantes do nascimento de uma nova forma de ação política planetária. Juntam pessoas de todos os continentes, concernentes a sujeitos mundiais, organizados por intermédio do meio planetário por excelência que é a Internet.
Essas manifestações de "oposições planetárias" são, em perspectiva, a emergência de um proto-governo planetário. Sabemos perfeitamente que não existe, ainda, um governo planetário, mas ele pode ser vislumbrado em perspectiva porque a polarização política contemporânea indica o conflito entre um governo planetário e sua oposição, mas também porque mais e mais organismos internacionais deixam entrever uma tal virtualidade.
A OMC figura em todo tipo de "proto-ministério do comércio" de um governo mundial. O Banco Mundial e o FMI indicam futuros ministérios das finanças. O G8 e o G20, a Secretaria de um futuro Senado Mundial; a OMS, o embrião do Ministério Global de Saúde; A OIT, um Ministério Mundial de Questões Sociais; a Unesco, Ministério Mundial de Educação e Cultura. A Corte de Haia, uma Corte Superior planetária; Secretaria Geral da ONU - redução da violência e conflitos em grande escala e só um organismo internacional a dispor de uma força armada poderá representar o embrião de um ministério do governo mundial (um "interior" anormal, sem trabalhos exteriores) fiscaliza a execução de leis internacionais e/ou mantém a justiça à escala de relações entre os povos. Claro que o governo de uma futura federação mundial remanejará profundamente as instituições internacionais já existentes. E lhes dará, sobretudo, um fundamento democrático (transparência, obrigação de prestar contas, eleições livres, deliberação e controle à escala planetária) bem superior a estas de hoje.
(Segue segunda parte no próximo post).

domingo, 19 de agosto de 2007

outros blogs/A onda agora é andar de buzu 2

Vejam o q Sonia Francine Gaspar Marmo, colunista da folha de sp no "blog da soninha", escreve sobre andar de ônibus.

Idéias, deslocamentos e demônios.
Sempre lembro de uma entrevista do João Gordo em que ele dizia que passou a ter mais dificuldade para escrever letras de música depois que começou a andar de táxi – de ônibus, ele tinha milhares de idéias.

Táxis, pelos personagens que você encontra atrás do volante, também são sugestivos. Mas a inspiração no ônibus realmente é diferente. Talvez seja porque você pode se desligar completamente do trajeto e prestar atenção (ou se deixar distrair pela) paisagem – no táxi, às vezes você precisa explicar onde virar, sem falar que o motorista pode exigir alguma atenção. E no ônibus o mundo chega mais perto; a conversa no banco de trás, o personagem ao seu lado... E tem a vista lá do alto, de onde se enxerga atrás dos muros e se avistam coisas que não existiam quando você estava no carro.

Andar a pé também desencadeia torrentes de idéias, é impressionante. Parece que elas acompanham a transpiração, perdendo também algumas de suas toxinas pelo caminho.

Na entrevista que Ingmar Bergman deu ao NYTimes em 95, depois de anos sem falar com a imprensa, reproduzida pelo Estadão logo depois que ele morreu, o repórter Alan Riding escreveu: “Os “demônios” que tentou exorcizar em muitos de seus filmes parecem estar sob controle. “Eles sabem que podem me alcançar de manhã cedo e, se fico na cama, me invadem por todos lados”, garante com uma risada. “Mas eu os engano porque me levanto. E eles odeiam ar fresco. Caminho rapidamente em todo tipo de tempo, e eles odeiam isso”.

Perfeito

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

guiness de cacos/o maior descalabro do planeta

Não sei se vocês repararam, porque notícia importante sempre passa de madrugada, ou sempre muito disfarçada no meio do noticiário. Mas a polícia federal brasileira RECUSOU o prêmio de 5 milhões de dólares por ter capturado o maior traficante da Colômbia na atualidade, num luxuoso condomínio em SP.
Sou contra a glamourização dos traficantes, acho que é urgente uma repensada na legalização das drogas para que não vire esse conluio entre traficantes e ex-policiais ou objeto de fetiche entre jovens pobres de periferia que vêem nessa atividade a única forma de terem o tênis caro que a mídia insiste em propagandear ou a moto mais possante, enfim, a única possibilidade de ascenção social numa sociedade tão absurdamente desigual.
Mas enquanto traficante é criminoso e a cabeça desse preso só valia menos que a de Bin Laden para os americanos, como é que a polícia brasileira, depois de um trabalho minucioso e surpreendentemente inteligente de investigação, recusa um prêmio desses?
Parece que estamos nadando em dinheiro. Essa grana bem que podia ser usada em programas de reabilitação de jovens drogados ou em vias de se envolver com o tráfico. Realmente, essas notícias causam em mim uma tal indignação que aumenta quando não vejo repercussão na mídia, e passamos, imediatamente, para o escândalo da vez, deixando para trás todos os outros escândalos que se sucedem... Brasil, Brasil, quando é que vamos tomar jeito?

terça-feira, 14 de agosto de 2007

outros blogs/rufo

A persona tem aparência simples e vai na frente, guiada por um homem, intimamente persuadido, que segue logo atrás.

)Luiz Carlos Rufo(

Vejam que delicado paradoxo: "guiada por um homem que segue logo atrás". Consegue alcançar a sensibilidade de Chico Buarque naquela obra-prima Todo Sentimento, onde diz: "Apenas seguirei, como encantado, ao lado teu". Rufo não segue ao lado, segue atrás, ainda que guiando.

Essa e outras pérolas vocês encontram no http://www.luizcarlosrufo.blogspot.com/ . Visitem e conheçam, além de um grande poeta e escritor, um artista plástico dos mais criativos nesses tempos de insossas repetições...

domingo, 12 de agosto de 2007

Outras Crônicas/Preto e Branco/Fernando Sabino

Perdera o emprego, chegara a passar fome, sem que ninguém soubesse: por constrangimento, afastara-se da roda boêmia que antes costumava freqüentar - escritores, jornalistas, um sambista de cor que vinha a ser o seu mais velho companheiro de noitadas.
De repente, a salvação lhe apareceu na forma de um americano, que lhe oferecia um emprego numa agência. Agarrou-se com unhas e dentes à oportunidade, vale dizer, ao americano, para garantir na sua nova função uma relativa estabilidade.
E um belo dia vai seguindo com o chefe pela rua México, já distraído de seus passados tropeços, mas tropeçando obstinadamente no inglês com que se entendiam - quando vê do outro lado da rua um preto agitar a mão para ele.
Era o sambista seu amigo.
Ocorreu-lhe desde logo que ao americano poderia parecer estranha tal amizade, e mais ainda incompatível com a ética ianque a ser mantida nas funções que passara a exercer. Lembrou-se num átimo que o americano em geral tem uma coisa muito séria chamada preconceito racial e seu critério de julgamento da capacidade funcional dos subordinados talvez se deixasse influir por essa odiosa deformação. Por via das dúvidas correspondeu ao cumprimento de seu amigo da maneira mais discreta que lhe foi possível, mas viu em pânico que ele atravessava a rua e vinha em sua direção, sorriso aberto e braços prontos para um abraço.
Pensou rapidamente em se esquivar - não dava tempo: o americano também se detivera, vendo o preto aproximar-se.
Era seu amigo, velho companheiro, um bom sujeito, dos melhores mesmo que já conhecera - acaso jamais chegara sequer a se lembrar que se tratava de um preto? Agora, com o gringo ali a seu lado, todo branco e sardento, é que percebia pela primeira vez: não podia ser mais preto. Sendo assim, tivesse paciência: mais tarde lhe explicava tudo, haveria de compreender. Passar fome era muito bonito nos romances de Knut Hamsun, lidos depois do jantar, e sem credores à porta. Não teve mais dúvidas: virou a cara quando o outro se aproximou e fingiu que não o via, que não era com ele.
E não era mesmo com ele.
Porque antes de cumprimentá-lo, talvez ainda sem tê-lo visto, o sambista abriu os braços para acolher o americano - também seu amigo.

Cordel em Paris


Uma aluna brasileira estava na seção de gravuras da Biblioteca Nacional de Paris quando ouviu o professor falar, embevecido, da xilografia na literatura de cordel como "exemplo de domínio da técnica e estilo original".
É crescente o interesse no exterior pelo cordel. Aliás, alguns dos melhores trabalhos sobre a literatura de feira nordestina são do americano Marck J. Curran e do holandês Joseph Luyten.

A fábula das duas velhas ou A mulher que envelheceu de ciúme

Adolfo, 32 anos, foi à praia sozinho. Chegando lá, teve vontade de tomar uma cerveja em lata, mas acabou tomando duas. Como não tinha dinheiro nem para a primeira, pediu à vendedora, 65 anos, que lhe fizesse fiado e que ela poderia ir em sua casa cobrar.
Na outra semana Cristina, 25 anos, esposa de Adolfo, foi à praia, e como tinha dinheiro para tomar apenas uma cerveja não pôde assumir a dívida de Adolfo e, para não passar por má pagadora, resolver dar uma satisfação à vendedora e lhe disse: "Meu marido está lhe devendo duas cervejas, não é?". Ao que a vendedora respondeu: "É, e por sinal ele mandou eu ir em sua casa cobrar, mas como a senhora não estava, eu não quis ir". Ao que Cristina respondeu: "Mas eu não sou ciumenta", e a senhora: "Eu até falei com meu marido e ele achou certo eu não ir". Após a saída da senhora, Cristina começou a pensar melhor para entender o que ela queria dizer com isso. Surgiram duas hipóteses:
1. Que se Cristina chegasse de surpresa, vendo uma senhora de 65 anos nem tão estranha, já que ela a conhecia como vendedora de cerveja, fosse se incomodar, sentir ciúme.
2. Como a senhora tinha evocado a existência do marido, surge outra possibilidade: o medo de ser agarrada à força por Adolfo, casado, sozinho no apartamento.
Cristina a princípio achou um escândalo, aliás, dois escândalos: primeiro a senhora ainda se achar capaz de provocar ciúme em uma jovem mulher de 25 anos e, segundo e mais escandaloso: a senhora achar que poderia suscitar alguma espécie de tesão em um jovem rapaz de 32 anos.
Cristina, alarmada diante dessas alternativas, não mais deixou Adolfo ir à praia sozinho, nem ficar sozinho no apartamento. Sua vida virou um inferno. Passaram-se dez anos e Cristina, consumida de tanta preocupação, envelheceu 30 anos. Um dia voltaram à praia e Adolfo, alarmado, constatou que agora na história, não tinha apenas uma, mas duas velhas.

Outros poemas/parede de hospício

Estive doente, doente de tudo.
Tenho os braços cansados, não posso escrever.
Doente dos olhos, doente da boca, doente do corpo,
dos nervos até.
Dos olhos que viram mulheres formosas,
da boca que disse palavras em brasa,
dos nervos manchados de fumo e café.
Estive doente, doente de tudo.
Tenho os braços cansados, não posso escrever.
Eu quero um punhado de estrelas maduras,
eu quero as doçuras do verbo VIVER!

(encontrado em uma parede de hospício)

O Horizonte

Quando o muro de Berlim foi derrubado, parecia que naqueles escombros se escondiam os sonhos de boa parte da humanidade. Era confortável a existência do muro: uns ficavam de um de um lado, e outros do outro. Não se tinha muito o que escolher.
Depois da queda, ninguém tinha mais um definido lugar para estar, uma ideologia definida para abraçar. E o império soviético, que durante tantos anos parecia ameaçar ou enfrentar os EUA, mostrou-se tão frágil quanto uma casca de ovo.
E então? O capitalismo ganhou a guerra fria? É o fim da história, como querem alguns "aloprados"? O mundo está condenado ao capitalismo?
Não! Respondem algumas poucas vozes mais dissonantes.
O pensador Pierre Levy, por exemplo, vê "no horizonte, um capitalismo cada vez mais se transformar em comunismo, preservadas as liberdades individuais".
Ele parte do conceito de ciberdemocracia planetária, onde o mundo é cada vez mais transparente, os grandes escândalos financeiros cada vez mais desmascarados e o capital internacional cada vez circula mais pelo planeta.
O resultado disso? Uma ciberdemocracia sustentada, de um lado, pelo crescente acesso de pessoas à informação, e, por outro, um crescente interesse de grupos internacionais em investir nos países pobres (seja através dos governos, seja através de ongs) porque precisam de mercado consumidor.
Como já dizia o velho Marx: "o capitalismo traz no seu seio o germe da sua própria destruição". A mola mestra do capitalismo, o lucro, só é viável se houver mercado para consumir a produção industrial. Não é à toa que todos os bens de consumo são cada vez mas acessíveis: carro, telefone, vídeo, computador, internet.
Mais um detalhe: a tecnologia da informática, hoje acessível a muitos adolescentes, dispensa o conceito de mais-valia. Cada vez o trabalho manual é substituído pelo intelectual. Cada vez mais são as idéias, a criatividade, que podem inventar um programa para facilitar a vida de milhares de pessoas. Um adolescente criativo + um PC, eis a nova célula revolucionária. Isto não pode mais ser chamado de capitalismo, cuja mais valia é essencial. São novos paradigmas que estão convivendo com os destroços da guerra fria.

"A onda agora é andar de buzu"


Andar de ônibus é legal. As pessoas é que não sabem curtir. Como hoje é uma necessidade premente do planeta em época de aquecimento global, aqui vão algumas dicas para tornar sua viagem de "buzu", no mínimo, pitoresca.
De ônibus você não tem que se preocupar com estacionamento, roubo de carro, flanelinha, ambulantes nem com solidão. Como diz Bárbara Gancia, se você quer calor humano pegue um ônibus na hora do "rush".
Aliás, é a primeira coisa que você deve evitar, se for possível.
Procure se inteirar dos horários com os cobradores ou fiscais (se estes estiverem no ponto, normalmente ficam no início ou no final das linhas). Assim você evita perder horas nos pontos. Ao entrar nos ônibus, a primeira coisa a fazer é sorrir para o cobrador. É infalível. Deixe o dinheiro já trocado no bolso ou na mão. Se estiver bem humorado, puxe uma conversinha com o cobrador e você se surpreenderá o quão interessantes são essas figuras. Têm uma visão absolutamente singular da realidade. Afinal, já se disse que tudo na vida é passageiro, exceto cobrador e motorista, mas "converse com o motorista só o indispensável", sobra o cobrador.
Aí, então, procure seu lugar, que pode ser em pé, dependendo da hora, mas que deve, ainda assim, ser bem escolhido.
Janela é o máximo, mas como a procura é grande, dificilmente você achará uma. Corredor é médio, fica-se sujeito a pisadelas (ponha o pé pra dentro) e a "terras" indesejáveis. Neste caso, mantenha-se calma, olhe nos olhos do "terrador" que funciona, se ele não for muito doente. Se não der certo, arrisque um "com licença" e em última instância reaja ironicamente, tipo: "Você é tarado profissional ou amador?".
Se o ônibus estiver tranquilo, comece a olhar para todas as pessoas, começando pela frente. Tem muita gente interessante andando de ônibus. Isso ajuda a passar o tempo e a ampliar seus conhecimentos antropológicos.
Puxe uma prosinha com quem está ao seu lado. Ofereça um chiclete, qualquer coisa, e faça algum comentário sobre a realidade que vocês partilham naquele momento: o ônibus.
Nunca, em nenhuma hipótese, fique solto dentro do ônibus. Sempre segure firme em algum lugar, mesmo que esteja sentado, enquanto não colocam cinto de segurança nos nossos veículos do dia-a-dia, o "buzu".
Se o ônibus estiver vazio, levante com antecedência de um ponto ao que vai saltar. Aliás, um paulista achou engraçado que aqui em Salvador o povo não desce do ônibus, "salta".
Ao descer, não se esqueça de agradecer ao motorista, ou pelo menos dar um sorrizinho.
Não atravesse na frente do ônibus, mesmo que você ache que dá tempo. Pode não dar e ser um risco absolutamente desnecessário.
Seguindo essas instruções, você vai começar a ver o lado "light" do "buzu". BOA VIAGEM!

terça-feira, 7 de agosto de 2007

A mídia em julho

Pan/TAM/Pan/TAM/Pan/TAM/Pan/TAM/Pan/TAM/Pan/TAM


Pan = quatro vezes o orçamento inicial previsto: R$3.700.000.000,00

TAM = 199 mortos vítimas da ganância ilimitada e do desgoverno da crise aérea.

Ai de nós!

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Outros poemas

Pensar que a gente cessa é íngreme. Minha alegria ficou sem voz.

Manoel de Barros, poeta pantaneiro.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

A Escolinha de Tia Vi

Participei no ano passado do I Concurso de Vídeo da TVE de 90". Fiquei selecionada entre os 30 melhores e com veiculação durante 2 meses na TVE. Não fiquei entre os 5 premiados, mas para mim foi absolutamente válido e me senti completamente vitoriosa. Obrigada a todos os que me ajudaram na realização deste vídeo.

http://www.youtube.com/watch?v=W1UDpaa5Pbc

terça-feira, 24 de julho de 2007

Enfim, velox!

Da pedra lascada da internet discada diretamente para o mundo da banda larga, sem horário limitado, sem culpa de acessar fora de hora, só agora minha linha ficou disponível para esse recurso. Antes não estava, não me perguntem porque. Só a "oi", atual proprietária da Telemar, sabe. Simples assim.
Depois de um recesso, o "cacos" volta agora com força total, regularmente ou a qualquer momento, em edição extraordinária. E viva a modernidade!