segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Eduardo Santos, meu herói!




O judoca Eduardo Santos é eliminado por suíço na busca por uma medalha de bronze e emociona o país com um pedido de desculpa aos pais por não ter conseguido a dita medalha.
Eu tinha jurado não comentar nada sobre essas Olimpíadas, principalmente porque acho um desrespeito a maioria dos atletas não serem patrocinados e prestigiados pelo estado brasileiro e na época das competições serem apresentados como representantes do "Brasil"! essa abstrata e efêmera categoria.
Pois bem, não ia comentar até ver Eduardo Santos aos prantos, pedindo desculpas aos seus pais e se julgando incompetente. Que nada, Eduardo! Você é o legítimo herói, pq lutou sem patrocínio nenhum (levou 10 anos para mudar de faixa, de marrom para preta, pq não tinha dinheiro para fazer a prova). Vcs não acham que seria uma obrigação do Estado Brasileiro patrocinar TODOS os seus atletas olímpicos? Por que umas categorias são superprivilegiadas enquanto outras são absolutamente esquecidas?
Não me conformo e passo ao largo dessa presepada olímpica, a não ser, claro, quando um caso como esse de Eduardo me comove.
Felizmente, sua recepção na chegada ao Rio foi animadíssima, muito calorosa do aeroporto até seu bairro. Virou herói! Parabéns, Eduardo!

sábado, 16 de agosto de 2008

Obra-prima/Caymmi


(Obrigada ao Blag pela linda foto!)
Milagre

Maurino Dadá e Zé Caô
Embarcaram de manhã
Era quarta feira santa dia de pescar e de pescador
Se sabe que muda o tempo
Se sabe que o tempo vira
Ai o tempo virou
Maurino que é de guenta guento
Dada que é de labutar labutou
Zeca esse nem falou
Era só jogar a rêde e puxar
Era só jogar a rêde e puxar

Se Caymmi tivesse feito só essa música, teria justificado a sua existência. Coisa de gênio!

Conflito e decisão de um juiz baiano

Sábado, 16 de Agosto de 2008
Conflito e decisão de um juiz baiano

Recebi essa crônica por email.

A CRÔNICA DE UM CRIME ANUNCIADO


Processo Número1863657-4/2008
Autor: Ministério Público Estadual
Réu: B.S.S
B.S.S é surdo e mudo, tem 21 anos e é conhecido em Coité como Mudinho.
Quando criança, entrava nas casas alheias para merendar, jogar videogame,
para trocar de roupa, para trocar de tênis e, depois de algum tempo, também
para levar algum dinheiro ou objeto. Conseguia abrir facilmente qualquer
porta, janela, grade, fechadura ou cadeado. Domou os cães mais ferozes,
tornando-se amigo deles. Abria também a porta de carros e dormia candidamente
em seus bancos. Era motivo de admiração, espanto e medo!
O Ministério Público ofereceu dezenas de Representações contra o então
adolescente B.S.S. pela prática de "atos infracionais" dos mais diversos. O
Promotor de Justiça, Dr. José Vicente, quase o adotou e até o levou para
brincar com seus filhos, dando-lhe carinho e afeto, mas não teve condições de
cuidar do Mudinho.
O Judiciário o encaminhou para todos os órgãos e instituições possíveis,
ameaçou prender Diretoras de Escolas que não o aceitavam, mas também não teve
condições de cuidar do Mudinho.
A comunidade não fez nada por ele.
O Município não fez nada por ele.
O Estado Brasileiro não fez nada por ele.

Hoje, B.S.S tem 21 anos, é maior de idade, e pratica crimes contra o
patrimônio dos membros de uma comunidade que não cuidou dele.
Foi condenado, na vizinha Comarca de Valente, como "incurso nas sanções do
art. 155, caput, por duas vezes, art. 155, § 4º, inciso IV, por duas vezes e
no art. 155, § 4º, inciso IV c/c art. 14, inciso II", a pena de dois anos e
quatro meses de reclusão.
Por falta de estabelecimento adequado, cumpria pena em regime aberto nesta
cidade de Coité.
Aqui, sem escolaridade, sem profissão, sem apoio da comunidade, sem família
presente, sozinho, às três e meia da manhã, entrou em uma marmoraria e foi
preso em flagrante. Por que uma marmoraria?
Foi, então, denunciado pelo Ministério Público pela prática do crime previsto
no artigo 155, § 4º, incisos II e IV, c/c o artigo 14, II, do Código Penal,
ou seja, crime de furto qualificado, cuja pena é de dois a oito anos de
reclusão.
Foi um crime tentado. Não levou nada.
Por intermédio de sua mãe, foi interrogado e disse que "toma remédio
controlado e bebeu cachaça oferecida por amigos; que ficou completamente
desnorteado e então pulou o muro e entrou no estabelecimento da vítima quando
foi surpreendido e preso pela polícia."
Em alegações finais, a ilustre Promotora de Justiça requereu sua condenação
"pela pratica do crime de furto qualificado pela escalada."
B.S.S. tem péssimos antecedentes e não é mais primário. Sua ficha,
contando os casos da adolescência, tem mais de metro.
O que deve fazer um magistrado neste caso? Aplicar a Lei simplesmente?
Condenar B.S.S. à pena máxima em regime fechado?
O futuro de B.S.S. estava escrito. Se não fosse morto por um "proprietário" ou
pela polícia, seria bandido. Todos sabiam e comentavam isso na cidade.
Hoje, o Ministério Público quer sua prisão e a cidade espera por isso. Ninguém
quer o Mudinho solto por aí. Deve ser preso. Precisa ser retirado do seio da
sociedade. Levado para a lixeira humana que é a penitenciária. Lá é seu lugar.
Infelizmente, a Lei é dura, mas é a Lei!
O Juiz, de sua vez, deve ser a "boca da Lei."
Será? O Juiz não faz parte de sua comunidade? Não pensa? Não é um ser humano?
De outro lado, será que o Direito é somente a Lei? E a Justiça, o que será?
Poderíamos, como já fizeram tantos outros, escrever mais de um livro sobre
esses temas.
Nesse momento, no entanto, temos que resolver o caso concreto de B.S.S. O que
fazer com ele?
Nenhuma sã consciência pode afirmar que a solução para B.S.S seja a
penitenciária. Sendo como ela é, a penitenciária vai oferecer a B.S.S. tudo o
que lhe foi negado na vida: escola, acompanhamento especial, afeto e
compreensão? Não. Com certeza, não!
É o Juiz entre a cruz e a espada. De um lado, a consciência, a fé cristã, a
compreensão do mundo, a utopia da Justiça... Do outro lado, a Lei.
Neste caso, prefiro a Justiça à Lei.
Assim, B.S.S., apesar da Lei, não vou lhe mandar para a Penitenciária.
Também não vou lhe absolver.
Vou lhe mandar prestar um serviço à comunidade.
Vou mandar que você, pessoalmente, em companhia de Oficial de Justiça desse
Juízo e de sua mãe, entregue uma cópia dessa decisão, colhendo o "recebido", a
todos os órgãos públicos dessa cidade: Prefeitura, Câmara e Secretarias
Municipais; a todas as associações civis dessa cidade: ONGs, clubes,
sindicatos, CDL e maçonaria; a todas as Igrejas dessa cidade, de todas as
confissões; ao Delegado de Polícia, ao Comandante da Polícia Militar e ao
Presidente do Conselho de Segurança; a todos os órgãos de imprensa dessa
cidade e a quem mais você quiser.
Aproveite e peça a eles um emprego, uma vaga na escola para adultos e um
acompanhamento especial. Depois, apresente ao Juiz a comprovação do
cumprimento de sua pena e não roubes mais!
Expeça-se o Alvará de Soltura.
Conceição do Coité- BA, 07 de agosto de 2008,
ano vinte da Constituição Federal de 1988.
Bel. Gerivaldo Alves Neiva
Juiz de Direito
www.amab.com.br/gerivaldoneiva

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

A bomba de Patrícia Pillar


Sou conterrânea de Waldick Soriano, como sabe quem já leu meu perfil. Assisti a um show no ano passado na AABB de Piatã, Salvador, e aguardava com muita ansiedade o filme que Patrícia Pillar tinha feito sobre ele, amplamente divulgado pela mídia e pela própria autora. Finalmente, o IV Seminário de Cinema da Bahia nos presenteou, no último dia, com o tão aguardado filme. Vocês sabem que conterrâneo que se preza vai de renca prestigiar o artista famoso, ainda mais nesse caso, em que o homenageado está muito doente, em fase terminal mesmo, como se noticia, e lá fui eu com um monte de caetiteenses querendo ver como tinha sido essa provavelmente derradeira homenagem em vida.

O filme começou estranho, com uma atmosfera de passado, uma volta do artista à sua cidade natal num carro. Até aí se entendia, se estava querendo esse clima de passado, que as cores fossem meio mortas, para dar a impressão de imagem de arquivo.

O estranho é que o filme continua assim o tempo todo! Um artista "brega" como Waldick merecia uma fotografia mais vibrante, colorida, e não aquele desbotamento de filme antigo. E o som? Vocês lembram como era antigamente filme nacional? Aquele som horrível, onde você se esforça para entender o que os personagens dizem? Pois foi assim quase que o tempo inteiro.

Realmente, Waldick merecia uma despedida melhor e seus fãs também!

Lá da UTI de Fortaleza ele deve ter resmungado baixinho: "Eu não sou cachorro não!"

De volta à rede!

Estive tão ocupada, mas tão ocupada, que quando ligava o computador mal tinha tempo de ler e responder meus emails! Nada de inspiração para postar o que quer que fosse, nem uma linha... Resolvi não me torturar mais e esperar o trabalho acabar, afinal tudo na vida passa, para poder dar um pouco mais de atenção ao "meu querido blog"!
Agora, aproveitando uma folguinha até o próximo trabalho, que felizmente já está a caminho, resolvi dar um alô pras pessoas que, como Marcus Gusmão, não aguentavam mais ver eu botar a culpa em Fidel.
Notícias desse tempo ausente? Um seminário com o psicanalista francês Charles Melman, aguardado por mim com muita expectativa, mas que acabou sendo um pouco frustrante pelo fato de não ter ouvido nenhuma novidade. Conheço sua obra, e talvez por isso não me surpreendi, ao contrário da grande maioria da platéia, com suas afirmações. Admiro sua habilidade em expressar-se mas isso também já era esperado. Não fui ao TCA, preferi pagar bem menos num espaço privado, no que fiz muito bem.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

A culpa é do Fidel


Um filme impactante e sensível está em cartaz em Salvador na Aliança Francesa. A história é linda, a interpretação da menina que faz a atriz é impressionante. Saí com aquela sensação de que a arte é realmente a grande saída para os males da humanidade.

Trama na rede

A gravadora Trama anunciou ontem que vai disponibilizar legalmente na internet todo o seu acervo musical. Com um detalhe: DE GRAÇA. O projeto terá o nome de Álbum Virtual e a meta de lançar trabalhos inéditos primeiro na internet. A Trama tem mais de 400 artistas nacionais e internacionais no seu acervo, entre os quis Elis Regina e Tim Maia.

Na sexta feira próxima (dia 20), vai estar disponível para download gratuito o maravilhoso disco Danç-êh-a-sá Ao Vivo, de Tom Zé. A banda de Cuiabá Macaco Bong e Ed Motta serão os próximos a ter seus novos álbuns lançados de graça no site da empresa. Lá o fã vai encontrar também links para baixar capa, encarte, vídeos e extras, disponíveis por um período a ser determinado.

Quem ainda prefere o formato CD não precisa se preocupar. A Trama pretende lançar os álbuns nas lojas depois.


- Postado por: Beth S. do Tudo pode acontecer (http://beths.zip.net/)

sábado, 17 de maio de 2008

Viva a I Marcha dos Loucos!

Parecia mentira! Parecia um sonho! Parecia brincadeira, mas era tudo verdade, estive lá com a "mídia" filmando e tudo, os doidos andando direitinho na margem que a SET indicou, no horário que a Polícia permitiu, tudo como foi previamente combinado. O seguinte é esse, seu dotô, se a gente fizer tudo diretinho como foi previamente combinado não tem "perrepes", como se dizia no tempo em que lugar de doido era o manicômio, bem longe, de preferência, dos normais.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Babel tem traduçao!

É, se o tradutor universal do google não criticou, então a resposta está absolutamente certa, seu dotô! E por falar em dotô, lembrei-me de um poeminha que recitava lá pelos idos de 1976 no CECCA (Centro Estudantil e Cultural de Caetité, para quem tem memória curta): de Patativa do Assaré, aquele lá do Nordeste do Brasil (de cima), muuuiito longe da Bahia, é craro!: "Seu dotô, nosso nordeste, é mesmo a terra da fome, onde o matuto num veste, onde o matutu num comi, a agricurtura é sentença, e sem havê assistênça o jeito é se escangaiá: parece mermo um pagode, seu dotô, cumé que pode, esse Brasi miorá? O nosso pobre cabocro, pranta com munto prazer, com munta sastisfação, pruque no seu radim ABC qui comprô a prestação, todo momento qui liga, além de muntas cantigas, escuita uma voiz falá: uma voz dizendo: "Prante, que o governo garante", e se decide a prantá.
E toca lá pra cidade, 4 carga de argodão, porém já mais da metade está devendo ao patrão, o nosso bom camponês, com as comprinha que fêiz, nem um centavo sôbrô, ficou de borsa vazia, pensando na garantia que o diabo do rádio tanto falô."

quarta-feira, 14 de maio de 2008

vamos varrendo, vamos varrendo!

Planeta Terra urgente! A faxina precisa começar pra ontem, como dizem os publiciotarios, vamo varrer essa merda aí, gente! Dengue no Brasil e terremoto na China, tou começando a achar que Deus existe, castigo maior não poderia vir a cavalo.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

baixando a bolinha q suncê não é gente!

Obrigada, millôr, o quase nadinha...

O Pavão

Segue tentativa de equacionar sobre nossa gente, agradeça antecipadamente aos grandes humoristas da folha e tentem desenhar isso q pra vcs eu sei q é fácil.

balança digital: em cima o globo terrestre e no marcador digital o número 6 sextilhões de toneladas (q os físicos dizem q nosso planeta pesa, não me responsabilize). Realmente, acho q chegamos ao limite máximo, se vc dividir 6 sextilhões por 6,6 bilhões (atual população da terra) não caberá uma injusta parte nesse imensofundio para ninguém, a proporção é 1:1. Abraço, c.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Ai que alívio e que soninho gostoso!




É isso aí, galerinha da meia idade, quem souber balancear seus veneninhos com moderação e regularidade, como nos ensinaram os gregos, estão em muito boa companhia. Vou mimi pq tomorrow (amanhã) tenho um dia cheíssimo! Ai que sono!

terça-feira, 22 de abril de 2008

domingo, 20 de abril de 2008

Tá me dando uma agonia!


Essa amplíssima cobertura dos meios de comunicação a respeito do caso isabela é de se celebrar, na mais larga acepção da palavra. Fico imaginando... até as formigas sabem se comunicar entre si, sem "entraves" da linguagem, sem tabu, sem porra nenhuma! De repente me deparo com essa linda imagem da net sobre a completa harmonia entre mãe e filha.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Linda, mais q demais!


Menina! O mano Caetano já botou os olhos em vc? Aguardo resposta. Bj, c.

o pior é q pode até nem vir a ser! ai ai!

Deus, meu Deus, Millôr! Eu, q já caí nessa esparrela de mexer com cabeça de gente, hoje me defino simplesmente como "a analista de todos os sistemas" e sou tão desocupada q vivo de blog. Por falar nisso, pinta aqui pra uma prosinha www.cacosmeusbotoes.blogspot.com Bj, c.

os pobre analistas de hoje em dia

Millôr responde | E-mails recebidos





Nome:
e-mail:
Cidade: Estado:
Escreva: Eu, q já caí nessa esparrela de mexer com cabeça de gente, hoje me defino simplesmente como "a analista de todos os sistemas" e sou tão desocupada q vivo de blog. Por falar nisso, pinta lá pra uma prosinha www.cacosmeusbotoes.blogspot.com Bj, c.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Outros poemas/Eterno Millôr

É com a mais subida alegria que registro um comentário de Millor (não acredito!) respondendo-me no teleleitorada. Parece que estamos "ficando". Beijo seus pés, eu que sou quase uma gueixa. Lá no uol, comentário pg 58. Joguei o barro e parece que colou. Infinito Millôr!



Poemeu
E la nave, va?

Barco à deriva.
O timoneiro cego
E boquirroto
Dá ordens

Sem rações.

Clandestinos
E mercenários,
Sabotam operações.
Há muito rato a bordo.
O comandante,
Desnorteado

Não sabe onde é o leme.

Indica o leste

E grita: "Terra à vista!"

Mas vende a prestações.

A carne é pouca,
O tempo curto,
As bocas, muitas,
E vorazes.
E lá vão todos,
Mestres que enjoam em terra,
Pescadores de águas turvas.
O imediato
É da esquadra inimiga.
Todos, porém,
No mesmo barco
(mas sem água),
Marinheiros de última viagem
Em direção ao Fundo.
No porão, escravos.
Em volta, tubarões.

A bússola, que norteia,
Aponta o sul.

sábado, 12 de abril de 2008

Jean Mitchel pede socorro e não é ouvido.


"Em todo lugar, urubu é preto, já dizia meu avô materno Galdino Borges de Aguiar.
Thiago Fernandes | Divulgação
Jean Mitchel tem hepatite alcoólica, além de erisipela e problemas circulatórios
Áudio
Ouvir "Unchain My Heart", com Jean Mitchel Blues Band é fundamental para quem nãop conhece sua obra,

Zezão Castro, do A Tarde
>> Músico francês precisa de ajuda

A situação do cantor de blues francês Jean Mitchel, 59 anos, internado nas Obras Assistenciais Irmã Dulce (Osid) há 21 dias inspira cuidados. De acordo com informações do departamento médico, ele apresenta quadro de hepatite alcoólica, além de erisipela e problemas circulatórios. Está sem forças para andar.

“O paciente encontra-se bastante debilitado, sofrendo um desgaste pelo estilo de vida em que vivia, apresentando um quadro respiratório comprometido, sistema imunológico debilitado e letargia (vagareza) ao se comunicar decorrente do alcoolismo”, pontuou o fisioterapeuta Cléber Santos, que o examinou nesta sexta.

Não houve condições de diálogo com ele. Com muita dificuldade uma enfermeira conseguiu levantá-lo da cadeira para o leito de número 28 da enfermaria São Camilo. Chegou ali em uma ambulância do Samu, que o recolheu desmaiado nas ruas do Pelourinho.

A vida do cantor é recheada de tragédias. Há cerca de 5 anos, sua filha, uma adolescente que se tornou prostituta morreu afogada na volta de um programa feito com marinheiros no Porto de Salvador. Sem parentes no Brasil e sem saber o paradeiro dos que deixou em Paris, na França, Jean Mitchel batizado Jean Eugène Mouchère encontrou consolo no alcoolismo. E o que mais pintasse na esbórnia do Centro Histórico.

Escreveu ainda um livro chamado “Anjos Negros” e inspirou outro de “ficção”, segundo relatou, escrito por um inglês sobre um cantor de blues francês no Pelô.

Descansa em paz, Jean Mitchel, pois nós, todos os seus amigos, fomos incapazes de prestar-lhe a mais barata das atenções: a solidariedade humana. Certamente estará mais descansado sob a lousa fria de um cemitério em Salvador, a cujo enterro só compareceram 3 pessoas, segundo o vespertino da Tancredo Neves. Cada povo tem o arrependimento que merece!

E viva a tecnologia, olhando para o futuro

É isso aí! Cacos continua compartilhando a fé no futuro. Zica, mandei um email para o outro lado do mundo e vc não respondeu. Tenho uma certa pressa, apesar de saber o qto trabalham. Beijos em vc e em naninha em especial. c.
Japoneses começam a comercializar exoesqueleto robótico
11.04.2008 14:30 3 Comentários
postado por Rui Maciel
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No dia 05 de dezembro de 2005, o Techguru divulgou a criação do HAL (Hybrid Assitive Limb), um exoesqueleto cibernético capaz de ampliar a força de quem o veste em até 10 vezes. Pois bem. Menos de dois anos depois, a Cyberdyne - empresa que participou do desenvolvimento do projeto junto à Universidade de Tsukuba - anunciou a comercialização da “roupa biônica”.

O equipamento tem sensores capazes de identificar os sinais de movimento transmitidos do cérebro para os músculos e sua estrutura adapta-se aos movimentos naturais de quem o veste, dispensando controles externos. Além disso, seu sistema operacional analisa os sinais e calcula com exatidão a força necessária para executar os comandos. Mesmo pesando 23 kg, o usuário não sente o volume do material, já que a engenhoca suporta seu próprio peso.

Segundo a Cyberdyne, o exoesqueleto será utilizado em processos de reabilitação de pessoas com problemas de força muscular e também em casos de danos cervicais. A bateria do equipamento tem autonomia de até 2h40m em operação contínua. O HAL pode ser usado tanto em ambientes internos e externos, embora sua fabricante recomende a primeira opção. A comercialização do dispositivo se dará sob o sistema de locação, ao preço de US$ 1 mil mensais, mais US$ 300 para manutenção e atualizações - estes serão os valores cobrados fora do Japão. Em terras nipônicas o valor não foi divulgado.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

outros poemas/Rogério Henrique

Escrito sob a inspiração de uma lua cheia... ai ai!

Não sei onde meu peito foi buscar
Esse aperto, essa tristeza que há
Quando a face, em rubor, quer dizer
O que não pode a cabeça querer.

Olho pra cima e te vejo sincera
Reflexo de mim, paixão e quimera
Reinando no céu, sem fim.

Rogério Henrique - MA

É chato ser musa!

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Enfim, a tradução!

quinta-feira, 3 de abril de 2008

discussões domésticas


Eu: Vou para o meu analista, que é a única pessoa que me entende nesse planeta!
Ele: E ele é desse planeta?
Eu: Claro!
Ele: E vc, é desse planeta?
Eu: Claro, não entendi o sarcasmo!
Ele: Não é sarcasmo, eu acho que você é híbrida, seus pais foram abduzidos!

Com um nível desses, quem não quer discutir em casa todo dia antes de ir para o analista? Eu, pelo menos, adoro!

Outra discussão, a respeito de uma postagem que eu vou fazer sobre a torre de babel, já essa em francês (sorry, periferia!):
Eu: D'abord, cherche un traduteur! (Pra começar, procure um tradutor)
Ele: Il ny a pas de traduteur! (Não existe tradutor)
Eu: Bien sur que il y a! Un traduteur universel, je connais le meilleur! (Claro que existe! Um tradutor universal, eu conheço o melhor)
Se maridinho hoje em dia já tá difícil, maridinho q discute em "français", então, soube que está uma raridade!

segunda-feira, 31 de março de 2008

Outros poemas/Paulo Sérgio Pinheiro/Eduardo Gudin/Marcia





Se não te cuidares do corpo, cuida teu espírito torto que teu corpo jaz perfeito.
Se não te cuidares do peito, cuida teu olho absurdo que teu peito tomba morto, diante de tudo.
Se não te cuidares, cuidado! com as armadilhas do ar.
Qualquer solto som pode dar tudo errado.
1975

sábado, 22 de março de 2008

Reflexões de Mutá


Por sugestão de Paulo Galo, do blog do galinho, um dos amigos de "cacos", estou aqui nesse paraíso onde somos todos amigos do rei. De lambuja encontrei hoje à tarde com todo o pessoal do Barlavento, isso é que é celebridade, indo tocar em Nazaré. Abaixo, reflexões sob a forte chuva desse sábado de aleluia.

Houve um tempo em que cada ser humano podia viver, no máximo, 100 anos. Esse era o tempo da ignorância.
Nietzche matou Deus e aguardava, com isso, muitas auroras. Não alcançou, coitado!
Marx quis matar o capitalismo com a doença infantil do comunismo. Ao deixar o lúmpem fora desse jogo cometeu um erro cruel e foi castigado pela história.
Freud estabeleceu o inconsciente, radical revolução de perspectivas, onde o eu não é dono nem de sua própria casa. Esbarrou no rochedo da castração.
Lacan superou o mestre, propondo a travessia do rochedo, a travessia da castração. Esbarrou na sua masculinidade e morreu como $ (sujeito barrado).
Hoje a psicanálise realiza o sonho de Lacan que, ao propor a propagação do discurso do psicanalista (1970), já não espera sua articulação e suas consequências. Coloca-as em ATO.
Qual o limite do homem? Pergunta oportuna para ano de jogos olímpícos. Realizada a metáfora do Nome do Pai, ou seja, dentro da Lei, não há limites.

domingo, 16 de março de 2008

Força e liberdade ao povo do Tibet!

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM803252-7823-TIBETE+DIVULGADAS+IMAGENS+DOS+PROTESTOS+CONTRA+O+GOVERNO+CHINES,00.html

Se você, como nosso blog, acha um absurdo o que os pseudo-comunistas chineses estão fazendo com os irmãos tibetanos, favor assinar abaixo essa petição de apoio.
Não é de hoje que o cacos é contra a existência de todo e qualquer tipo de dominação. Não comungamos, como querem os pessimistas, com a tese que afirma que o homem é o lobo do homem. Que tal sermos todos irmãos habitantes do planeta Terra que já está para lá de baleado pela nefasta ação da ganância e da usura?

http://www.PetitionOnline.com/Tibete08/petition.html

ORGANIZAÇÃO:

Grupo de Apoio ao Tibete http://grupodeapoioaotibete.blogspot.com/
grupodeapoioaotibete@gmail.com

União Budista Portuguesa Tel: 21 363 43 63 (www.uniaobudista.pt)

segunda-feira, 10 de março de 2008

outros poemas/Gustavo de Castro

Canto Nietzschiano
Gustavo de Castro


E aquele, entre os homens, que não quer voltar ao pó,
É preciso antes que comece a cantar em qualquer canto um canto de dor.

E aquele, entre os homens, que não quer gestar intrigas,
É preciso antes que aprenda a calar em todas as línguas.

E aquele, entre os homens, que não quer morrer de solidão,
É preciso antes que comece a beijar todas as bocas.

E aquele, entre os homens, que não quer morrer sem verdade,
É preciso antes que aprenda a acreditar em todas elas.

E aquele, entre os homens, que não quer morrer de tédio,
É preciso antes que aprenda a ser todos de todas as maneiras.

E aquele, entre os homens, que quer permanecer íntegro,
É preciso antes que saiba silenciar todas as falas.

E aquele, entre os homens, que quer permanecer sensível,
É preciso antes que saiba sentir tudo de todas as maneiras.

E aquele, entre os homens, que quer permanecer são,
É preciso antes que saiba ter todas as loucuras...

sábado, 8 de março de 2008

briguinha no msn (real)


eu: Eu acho muito difícil conversar com alguém no msn, porque vc fica com a impressão q a outra pessoa está entendendo o "tom" da conversa, se vc fala a sério ou não, com q intenção, e a outra pessoa só recebe a letra fria, sem a entonação q se quer dar. Qdo disse q "faltou às aulas de geografia", é lógico q eu estava brincando, ninguém tem a obrigação de saber onde fica a América Latina ou até o planeta Terra, dependendo das circunstâncias, e vc se ofende, me chama de metida, como se eu quisesse esnobar conhecimento para vc. Não preciso disto, não esnobo conhecimento com ninguém, nem acho isto importante. Mas vc parece se irrita, leva a sério, e imediatamente fica "away". Francamente... achei q pudesse brincar com vc, mas vou evitar fazer isso dagora pra frente.
Beijo, C.


ele: Metida (rs rs rs)

Como diz o povo: "durma com um barulho desses e diga q dormiu direito!"
Às vezes penso em abolir esse meio de comunicação, mas é um deperdício e eu não vou fazer isso só porque uma ou duas vezes esse meio me trouxe alguns mal-entendidos. Ainda acredito no poder comunicador da linguagem, apesar dos ruídos. É isso.

quarta-feira, 5 de março de 2008

O miraculoso mundo da arte





Desde criança, embalada pelas aventuras no Sítio do Pica-pau Amarelo, sabia que a saída para qualquer sofrimento era a arte. No caso a literatura. Quantas vezes desejei possuir uma grama do pó de pirlimpimpim e cair no mundo encantado de Emília, Narizinho, Pedrinho, Tia Nastácia, Dona Benta e seus encantados animais.
Corta para a realidade: fiz um trabalho artístico chamado "A Falta", tentando dar conta desse conceito tão difícil da Psicanálise. De repente, deparo-me com esse fantástico trabalho "Todos", que desmente a existência de qualquer falta. Ou seja, no incrível mundo da arte, basta se desejar que a realidade muda.

Guerra na América Latina, era só o que faltava!

Sem comentários essa mais nova imbecilidade perpetrada pelos "donos" dos países da nossa já tão sofrida Latino América. Já não bastasse esse inferno na terra chamado Oriente Médio, querem importar o modelito pra cá.

Oriente Médio, ainda!

Obrigado por apoiar a campanha de emergência global por um cessar fogo entre Gaza e Israel.

Nós entregaremos a petição para oficiais sênior Palestinos e Israelenses e publicaremos a campanha em outdoors na região. Mas precisamos levantar uma chamado massivo rapidamente, antes que seja tarde demais, portanto se você ainda não o fez, por favor divulgue a campanha encaminhando o link abaixo para seus amigos e familiares:

http://www.avaaz.org/po/gaza_ceasefire_now/97.php?cl_tf_sign=1


Mais uma vez obrigado por apoiar essa campanha.

Com esperança,

Paul, Ricken, Galit, Esra'a, Pascal, Graziela e toda a equipe Avaaz
SOBRE A AVAAZ



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domingo, 2 de março de 2008

Doce regresso

Depois de consumada, minha relação com Anax chegou a um bom termo: já de volta às nossas funções habituais, tenho me permitido pensar e fazer outras coisas que não ele e sua fantástica turma, que vou conhecendo aos poucos.
Relacionamento é uma das coisas que mais esgotam um ser humano, e eu, que já estava quase esgotada, agora retomo o quotidiano, que nunca me pareceu tão aconchegante.
Claro que não se sai de uma experiência dessas do mesmo modo que se entra, e estou pagando o caro preço da mudança.
Darei daqui notícias desse insólito romance.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

A salvação pela Matemática

Pitágoras de Samos, outro coleguinha de Anax, transformou o "sentido da via da salvação": no lugar de Dionisio, a Matemática. A purificação resultaria do trabalho intelectual, que descobre a estrutura numérica das coisas e torna, assim, a alma semelhante ao cosmo, em harmonia, proporção e beleza.
Usando a lógica, há uma distância infinita entre o número 0 e 1, os quais podem ser divididos infinitamente. Percorrer esse infinito é tentar chegar perto de como o inexistente se torna existente.
A atualidade desse pensamento é fantástica, uma vez que Lacan passou seus últimos tempos escrevendo números e mais números no quadro, enlouquecidamente, já sem ter quem o acompanhasse... (informações sobre Lacan, de Elizabeth Roudinesco, autora de uma biografia definitiva).

Anax sobe ao poder

Nos meados do séc VI a.C., a chefia da escola de Mileto passa a Anax. Como todo bom discípulo, avança o pensamento do mestre Tales, e afirma que o princípio de todas as coisas é o ápeiron (infinito e/ou ilimitado), animado por um movimento eterno. Para Anax, ao longo do tempo, os opostos pagam entre si as injustiças reciprocamente cometidas.
Como passar do indetermindado para o determinado, ou do inexistente para o existente, do eterno para o temporal, do justo a injustiça? Segundo Nietzsche, "quanto mais procurava aproximar-se do problema, indagando-se sobre essas questões - maior se tornava a noite.
Minha noite, ainda que iluminada pela luz da sua vela (Anax só dorme de vela acesa), também tem se tornado imensa!

A Escola de Mileto, ou minha nova turma, do que o amor não é capaz...

Tales de Mileto

Graças a Anax, ando numa turma muito vip agora, são seus amigos que vou conhecendo aos poucos. Tales (final do sec VII e início do sec VI ac), o fundador da Escola de Mileto, do qual herdou o codinome, o mesmo de Anax (portanto vcs não duvidem de um dia eu assinar por aqui Christiana de Mileto, de tanto que estou casadinha com Anax).
Paixões à parte, gostaria de mostrar aqui hoje algumas idéias dos seus amigos, tchurma que inevitavelmente passei a frequentar.
Tales achava que a água era a origem de todas as coisas. Outra idéia linda de Tales é que "tudo está cheio de deuses", numa alusão laica de que o universo é dotado de animação, que toda matéria é viva.
Alguns filósofos contemporâneos, a exemplo do querido professor Luiz Isidoro (RJ), orgulham-se de não serem pensadores de origem, de não se interessarem por esse tema. Para eles, o que importa são os fluxos que atravessam o sujeito, deleuzianos até a medula, mas eu não, claro que me interessa a origem, poderia dizer que sou uma pensadora da origem. Se a gente não sabe de onde veio, como vai saber para onde vai?

outros autores/Antonio Negri e Michael Hardt



Aproveitando a relativa "folga" que Anax me deu, publico a resenha que recebi da Universidade Nômade e que me parece muito a calhar. Perspectivas otimistas à vista!

O conceito de Império, proposto por
Antonio Negri e Michael Hardt, definiu um
novo horizonte de reflexão sobre a crise
da modernidade. O léxico usado em
Império mobiliza os esforços de inovação
teórica e política de um conjunto de
autores (filósofos, sociólogos,
economistas) que, desde o início dos
anos 1990, problematizaram as noções
de trabalho, multidão, biopolítica,
comum, linguagem, potência. A proposta
desta coleção, organizada por Giuseppe
Cocco, é apresentar ao público brasileiro
essa bibliografia de grande interesse
para apreensão dos desafios da política
no império.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Hoje, não, Anax, estou com dor de cabeça.


Como já comentei aqui, Anaximandro (Anax, para os mais íntimos) não me dá sossego desde o Carnaval. Como é possível um homem se entranhar tanto na cabeça de uma mulher, a ponto de não lhe dar um momento de folga?
Hoje radicalizei. Disse-lhe que não posso dar-lhe atenção hoje, que tenho outras coisas para fazer na vida, além de só pensar em pré-socráticos e na "culpa de existir".
Impressionou-me muito a atualidade desse pensamento, e é por esse único motivo que dei tanta colher de chá para Anax. Como é que um cara pensa uma coisa dessas, lá antes de Sócrates, 610 a.C. - c. 546 a.C. e esse pensamento continua atual até para os mais modernos psicanalistas franceses que eu conheço? Charles Melman e Marcel Czermak, lacanianos atuantes e vivos, insistem nesse tema também, e eu fico me perguntando: tem culpa eu?

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Circuito ultra mega vip



Vejam vocês como são as coisas: eu planejava passar um carnaval sossegado no ultra mega vip circuito Amaralina - Vilas do Atlântico, quando fui abruptamente interrompida por Anaximandro. Para quem não está ligando o nome à pessoa, é um dos pré-socráticos que postularam a "culpa de existir", depois apropriada por Freud, que não era besta coisa nenhuma.
Eu nunca quis muito papo com os pré-socráticos e achava que fazia muito bem de cuidar de Sócrates pra cá, que já tava de bom tamanho. Negócio de "pré" sempre me remetia ao pré-primário, uma escola café com leite. Mal sabia eu que Anaximandro tinha essa importância toda. Resultado: voltei ao jardim de infância da filosofia, que como todo jardim tem suas cobras bem escondidas prontas para dar o bote. Todo cuidado é pouco pra mexer com esses caras.

Mataram Negão!

O posto Shell de Amaralina e seus assíduos frequentadores, entre os quais me incluo, estão de luto.
Negão, o ex-rasta e segurança do posto foi executado ontem, com um tiro no ouvido, no Vale das Pedrinhas. Causa mortis? "Rexa antiga" me responderam uns três. Desconhecia essa palavra, talvez seja mesmo necessário um nelogismo, quando a linguagem não mais dá conta do trágico. Então, senhores linguistas de plantão, a palavra agora é "rexa" e não "rixa" como vocês aprenderam em tempos de criança.
Já contrataram um substituto, afinal a vida continua, enquanto Negão era enterrado às 3 da tarde deste domingo.
"Ah que tempo mais vagabundo este que escolheram pra gente viver!".

Elegia




Ateneu que me desculpe, mas a minha festa foi melhor. Com certeza ele não contava com a existência de uma pequena fogueira para acalentar a alma, agora atrelada às rochas da minha libertação. Além de uma linda mesa de frutas...
Como me desejou meu amigo Fred Dantas, "saúde, sossego e liberdade". Pra que mais nada?
Obrigada aos 28 amigos que se despencaram de suas casas, cheios de cinzas, para abrilhantar a minha fogueira. Aos que não puderam comparecer, a minha saudade. Nunca estão todos, como diz Caetano em "Uns".

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Dia de festa


Há uma festa por aqui, apesar da quarta-feira de cinzas.
Para Bandeira, restou uma cinza fria, uma pouca cinza fria.
Para mim, há uma pequena fogueira incandescendo a minha alma, que insiste em viver abraçada à solidão dos séculos.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Outros poemas/Ateneu, X 462 C.

Agora o chão da casa está limpo, as mãos de todos
e as taças; um cinge as cabeças com guirlanda de flores,
outro oferece odorante mirra numa salva;
plena de alegria, ergue-se uma cratera,
à mão está outro vinho, que promete jamais falar,
vinho doce, nas jarras cheirando a flor;
pelo meio perpassa sagrado aroma de incenso,
fresca é a água, agradável e pura;
ao lado estão pães tostados e suntuosa mesa
carregada de queijo e espesso mel;
no centro está um altar todo recoberto de flores,
canto e graça envolvem a casa.
É preciso que alegres os homens primeiro cantem os deuses
com mitos piedosos e palavras puras.
Depois de verter libações e pedir forças para realizar
o que é justo - isto é que vem em primeiro lugar -
não é excesso beber quanto te permita chegar
à casa sem guia, se não fores muito idoso.
É de louvar-se o homem que, bebendo, revela atos nobres
como a memória que tem e o desejo de virtude,
sem nada falar de titãs, nem de gigantes,
nem de centauros, ficções criadas pelos antigos,
ou de lutas civis violentas, nas quais não há nada de útil.
Ter sempre veneração pelos deuses, isto é bom.

Criança defende a vida no planeta Terra


(por algum dos insondáveis motivos da informática, não consigo publicar o vídeo, mas vai o texto assim mesmo. Tentarei depois).
Maria Ely Camargo enviou-me esse vídeo que repassei para alguns amigos. Hoje recebo de Humberto Guanais a completa tradução do discurso (NA ECO 92). Hoje ela está com 29 anos, continua militante.
"Olá! Eu sou Severn Suzuki. Represento, aqui na ECO, a Organização das Crianças em Defesa do Meio Ambiente. Somos um grupo de crianças canadenses, de 12 e 13 anos, tentando fazer a nossa parte, contribuir. Vanessa Sultie, Morgan Geisler, Michelle Quigg e eu. Foi através de muito empenho e dedicação que conseguimos o dinheiro necessário para virmos de tão longe, para dizer a vocês, adultos, que têm que mudar o seu modo de agir. Ao vir aqui, hoje, não preciso disfarçar meu objetivo: estou lutando pelo meu futuro. Não ter garantia quanto ao meu futuro não é o mesmo que perder uma eleição ou alguns pontos na bolsa de valores. Estou aqui para falar em nome das gerações que estão por vir. Estou aqui para defender as crianças que passam fome pelo mundo e cujos apelos não são ouvidos. Estou aqui para falar em nome das incontáveis espécies de animais que estão morrendo em todo o planeta, porque já não têm mais aonde ir. Não podemos mais permanecer ignorados! Eu tenho medo de tomar sol, por causa dos buracos na camada de ozônio. Eu tenho medo de respirar este ar, porque não sei que substâncias químicas o estão contaminando. Eu costumava pescar em Vancouver, com meu pai, até que, recentemente, pescamos um peixe com câncer. E, agora, temos o conhecimento que animais e plantas estão sendo destruídos e extintos dia após dia. Eu sempre sonhei em ver grandes manadas de animais selvagens, selvas e florestas tropicais repletas de pássaros e borboletas. E, hoje, eu me pergunto se meus filhos vão poder ver tudo isso. Vocês se preocupavam com essas coisas quando tinham a minha idade? Tudo isso acontece bem diante dos nossos olhos e, mesmo assim, continuamos agindo como se tivéssemos todo o tempo do mundo e todas as soluções. Sou apenas uma criança e não tenho todas as soluções; mas, quero que saibam que vocês também não as têm. Vocês não sabem como reparar os buracos na camada de ozônio. Vocês não sabem como salvar os peixes das águas poluídas. Vocês não podem ressuscitar os animais extintos. E vocês não podem recuperar as florestas que um dia existiram onde hoje há desertos. Se vocês não podem recuperar nada disso, por favor, parem de destruir! Aqui, vocês são os representantes de seus governos, homens de negócios, administradores, jornalistas ou políticos; mas, na verdade, vocês são mães e pais, irmãs e irmãos, tias e tios. E todos, também, são filhos. Sou apenas uma criança, mas sei que todos nós pertencemos a uma sólida família de 5 bilhões de pessoas; e que, ao todo, somos 30 milhões de espécies compartilhando o mesmo ar, a mesma água e o mesmo solo. Nenhum governo, nenhuma fronteira poderá mudar esta realidade. Sou apenas uma criança, mas sei que esses problemas atingem a todos nós e deveríamos agir como se fôssemos um único mundo rumo a um único objetivo. Estou com raiva, não estou cega e não tenho medo de dizer ao mundo como me sinto. No meu país, geramos tanto desperdício! Compramos e jogamos fora, compramos e jogamos fora, compramos e jogamos fora… E nós, países do Norte, não compartilhamos com os que precisam. Mesmo quando temos mais do que o suficiente, temos medo de perder nossas riquezas, medo de compartilhá-las. No Canadá, temos uma vida privilegiada, com fartura de alimentos, água e moradia. Temos relógios, bicicletas, computadores e aparelhos de TV. Há dois dias, aqui no Brasil, ficamos chocados quando estivemos com crianças que moram nas ruas. Ouçam o que uma delas nos contou: "Eu gostaria de ser rica; e, se o fosse, daria a todas as crianças de rua alimentos, roupas, remédios, moradia, amor e carinho". Se uma criança de rua, que nada tem, ainda deseja compartilhar, por que nós, que tudo temos, somos ainda tão mesquinhos? Não posso deixar de pensar que essas crianças têm a minha idade e que o lugar onde nascemos faz uma grande diferença. Eu poderia ser uma daquelas crianças que vivem nas favelas do Rio. Eu poderia ser uma criança faminta da Somália, ou uma vítima da guerra no Oriente Médio; ou, ainda, uma mendiga na Índia. Sou apenas uma criança; mas, ainda assim, sei que se todo o dinheiro gasto nas guerras fosse utilizado para acabar com a pobreza, para achar soluções para os problemas ambientais, que lugar maravilhoso a Terra seria! Na escola, desde o jardim da infância, vocês nos ensinaram a sermos bem-comportados. Vocês nos ensinaram a não brigar com as outras crianças, a resolver as coisas da melhor maneira, a respeitar os outros, a arrumar nossas bagunças, a não maltratar outras criaturas, a dividir e a não sermos mesquinhos. Então por que vocês fazem justamente o que nos ensinaram a não fazer? Não esqueçam o motivo de estarem assistindo a estas conferências e para quem vocês estão fazendo isso. Vejam-nos como seus próprios filhos. Vocês estão decidindo em que tipo de mundo nós iremos crescer. Os pais devem ser capazes de confortar seus filhos dizendo-lhes: "Tudo vai ficar bem, estamos fazendo o melhor que podemos, não é o fim do mundo". Mas, não acredito que possam nos dizer isso. Nós estamos em suas listas de prioridades? Meu pai sempre diz: "Você é aquilo que faz, não o que você diz". Bem… O que vocês fazem, nos faz chorar à noite. Vocês, adultos, dizem que nos amam… Eu desafio vocês: por favor, façam com que suas ações reflitam as suas palavras. Obrigada!"

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Descobrindo Gero


De todas as coisas boas que aconteceram em SP a melhor de todas foi, sem dúvida, ter conhecido Gero. Como já disse, ganhamos uns convites sem nenhuma referência, e lá fomos nós para o teatro Tuca ver "Aldeotas" com Caco Ciocler (que pela excelente atuação no filme Olga, no papel de Prestes, merecia todos os créditos) e Gero Camilo. Pela foto do convite sabia q o conhecia, mas não sabia direito de onde, ao q me responderam: "Ele faz muito filme nacional, Carandiru, Bicho de Sete Cabeças, aquele do beijo na boca de Rodrigo Santoro"... e eu: "Sei...", sem coragem de assumir que não tinha visto nenhum dos dois filmes.
Resultado: o texto era de Gero Camilo, o protagonista era Gero Camilo e, para completar, Gero Camilo estava lançando um CD no fim do espetáculo. Claro q comprei (a prova é essa foto do autógrafo) e vou presentear pessoas sensíveis com uma copiazinha pirata feita em casa, Gero q me perdoe.
Perguntado sobre se iria viajar com a peça, Ciocler respondeu: "Bem que gostaríamos, mas não temos dinheiro"... Êta terrinha! Coisa de qualidade não tem patrocínio. Uma peça baratíssima, dois atores, nenhum cenário, facílima de ser levada para qualquer lugar e falta dinheiro...


A obra dele é tão original e profunda q me fez lembrar Manoel de Barros, o poeta pantaneiro. A peça é poesia pura e o cd, músicas dele e com parceiros, um canto de esperança.

Chegança


São Paulo aos meus pés

Ter chegado ao Brasil via São Paulo por quatro dias foi a melhor coisa que poderia ter feito. Seria um choque grande demais desembarcar nessa desgovernada Bahia depois de ter passado por lugares turísticos que se respeitam e que respeitam os turistas principalmente.
São Paulo foi um arrefeço merecido. Os quatro dias renderam muito, pois estávamos muito bem assessorados por duas baianas que moram em SP, com uma carinhosa hospedagem.
Resumindo: primeiro dia: uma deliciosa pizza no Santa Pizza (Vila Madalena), lugar super charmoso, preços honestos, nota mil. Coisa q vc não vê em Salvador, se é razoável, é proibitivo. De lá, nossas anfitriãs estavam com todo o gás, fomos ao Genésio e à Filial, um em frente ao outro, encontramos amigos baianos, ganhei um "calendário do Genésio" de presente de Vlad, um baiano em SP há 20 anos. Saímos de lá 5 da manhã. Dia seguinte, aniversário da cidade, todo mundo morto de ressaca, fomos almoçar na Paulista e casa. No sábado, depois da feirinha da Benedito Calixto, tínhamos ingressos para "Às favas com os escrúpulos", texto de Juca de Oliveira, com ele e Bibi Ferreira no elenco, no teatro Raul Cortez. Excelente. Pensam q as nossas anfitriãs quiseram vir pra casa? Nada, já tinham decidido ir ao "Grazie a dio", local de black music da melhor qualidade. Outra noitada.
Domingo ganhamos ingressos no Genésio para uma peça no teatro Tuca. Fomos sem nenhuma outra referência além da presença de Caco Ciocler no elenco. Ele e um tal "Gero Camilo". Mas isso já é notícia para um outro post.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Montevidéu, um lugar de paradoxos




Montevidéu foi uma estranha surpresa. Foi a minha primeira vez, estranhamentos são naturais, porque narciso acha feio o que não é espelho, como já dizia Caetano a respeito da sua primeira impressão sobre São Paulo. Ficamos no Centro, próximos à Cidade Velha, muitos monumentos com cavalos, são fixados em militares sobre cavalos, cada praça tem um. Por falar em cavalos, ouvimos durante toda a noite trotes de cavalos pelo asfalto, achei q estava sonhando, eram os catadores de lixo que usam carroças puxadas a cavalo. Ecologicamente corretíssimo, ja que não polui e ao mesmo tempo recolhe o lixo reciclável, bem mais seguro do que aqueles imensos carros de mão de Salvador, mas estranho, muito estranho. Tem carroças de todo tipo, cavalos enfeitados, uma loucura. A chegada foi pela rodoviária, já que viemos de Buenos Aires para Colonia, de Buquebus, como chamam a empresa q faz a conexão barco x ônibus.
A Avenida 18 de Julho, onde estávamos hospedados, é imensa e corta um importante trecho da cidade, ligando o Centro ao lado mais moderno, aí sim, tem-se a impressão q se está numa capital.
A orla do rio da Prata é de dar inveja aos baianos, já que João Henrique conseguiu estragar o que a natureza fez com capricho em Salvador. Um calçadão enorme, que chamam de Ramblas, onde se passeia de bicicleta, se faz cooper, mas o rio mesmo, coitados, uma areia na maior parte escura e a água barrenta.
Por falta de informação saímos no dia em que iria começar o maior carnaval do mundo, dia 24 à noite, viajamos 24 à tarde, mas com passagens já acertadas nem nos atrevemos a mexer. O carnaval começa em janeiro e vai ate março, com arquibancadas nas ruas como pequenos camarotes para um grupo de 6 a 8 pessoas. Viajamos hoje, 24 para São Paulo e já caímos na esbórnia paulista, ficando até 5 da manhã na farra. Amanhã, quer dizer, hoje beeeem mais tarde, pretendemos ir à Pinacoteca para uma exposição de Tarsila, às 11 tem o coquetel de abertura, mas é realmente impossível acordarmos nesse horário. Veremos o q será possível fazer nessa paulicéia desvairada.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Atualizando...

Por incrível q pareça, Buenos Aires foi o lugar em q tive mais dificuldade de internet. Nao q faltassem locutorios por toda a parte, mas pq no hotel nao tinha serviço e eu já estava acostumada a postar antes de dormir contando as novidades do dia. Resultado: qdo resolvi fazer isso no último dia, ir a um serviço de internet, estavam sem conexao.
É a terceira vez q vou a "Mi Buenos Aires querido" como diz o velho tango. O velho e bom hotel Novel, na avenida de Mayo, nos aguardava com vaga, sem reserva. Logo depois lotou, foi uma sorte ter conseguido. Passeios a San Telmo, a Florida, ao Delta do Paraná pelo Tren de la Costa, e até uma ida ao teatro Astral, onde estavam encenando Cabaré, muito bom.
No domingo pegamos um barco para Montevideu, com conexao de onibus em Colonia. Aqui tambem escurece muito tarde, o q atrapalha a percepçao do tempo. Até chegar ao hotel (conseguido no escuro, na rodoviaria) já era noite, apesar de ainda claro. Ontem nao fizemos nada, além de sair para comer algo e dar uma volta na Praça Fanini q fica aqui perto, no centro novo (pq tem o centro velho). Hoje vamos "ramblar" na orla, passeando na ciclovia de bicicleta. Hasta la vista!

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Vamos a la playa!

Hoje foi o dia da indefectível visita às praias do Pacífico: Viña del Mar e Valparaíso. Nada muito diferente de quando estive aqui, em 2000, mas é sempre um prazer visitar este "puerto loco" a "este disparate" de ciudad, como diz Neruda, acrescentando que "si caminamos todas sus escaleras, habremos dado la vuelta al mundo" referindo-se a Valparaíso, onde tinha uma casa, além das outras duas, em Santiago e Isla Negra. Na de Santiago, podemos testemunhar a amizade do poeta com Jorge Amado e Vinícius, com fotos no Mercado Modelo e troca de amabilidades entre eles.
Temos muitas fotos, mas nao estou conseguindo postar daqui, farei isso com mais calma do meu lap top q eu conheço melhor.
E a visita a Santiago continua amanha, nosso último dia aqui, qdo pretendemos ir ao Mercado Central comer lagosta, que araruta também tem seu dia de mingau!

domingo, 13 de janeiro de 2008

Cultura e arte fazem a festa em Santiago

Está acontecendo aqui o "Santiago a mil", um festival internacional de teatro, com peças por todos os lados, em praças e locais fechados. Sem contar as inúmeras salas de teatro que vemos em muitos lugares, além dos teatrinhos de rua, tudo muito profissional, com muita tecnologia, projeçoes, fantastico! Depois (esses do teatro de rua) saem com o chapeuzinho pedindo contribuiçoes ao publico e sobrevivem assim. É de dar inveja!

Notícias da viagem

Cheguei hoje a Santiago, depois de quatro dias no deserto. San Pedro de Atacama é um lugar mágico, surpreendente. Acho que todo mundo já disse isso, mas nao posso evitar o lugar comum. Mais noticias da viagem, em breve, de preferência com imagens, que ainda nao consegui postar.
O primeiro choque foi com o câmbio. Imaginem que com um real pode-se comprar 256 pesos chilenos. Isso enloquece qualquer um: um café expresso custa 800 pesos, e um nescafé descarado custa 300 pesos. E diz o jornal tradicional daqui, El Mercurio, que o peso chileno foi a moeda que mais se valorizou frente ao dólar. Eles devem estar certos, mas nao é essa a impressao que fica.
Santiago respira cultura. Asistimos hoje, meio sem querer, uma estonteante apresentaçao teatral na Praça do Palácio de la Moneda, de triste memória para os chilenos. Clara alusao à invasão do Palácio, representada por estruturas metalicas imitando as portas do palacio, em chamas. O grupo convidado era da Polônia e a peça se chamava "A Arca". Isso fazia parte, viemos a saber depois, do "Santiago a Mil", onde pode-se assistir, durante todo o mês de janeiro, a Mil (isso mesmo, mil!) espetáculos de teatro, dança, música, cinema, palestras, museus, enfim, mil eventos culturais.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Direto do deserto de Atacama!

Estou em uma lan house do meio do deserto de Atacama - Chile. Definitivamente, nao se fazem mais desertos como antigamente. Imaginem, uma lan house no meio do deserto? Entrarei nos proximos dias com imagens, se tudo correr bem com a maquina digital.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

E la nave va!



Lá vamos nós para 2008, catando os caquinhos do que foi esse ano que passou, balanços das nossas vidas, planos para o novo ano que chega... Final de ano é sempre essa hora de repensarmos o rumo das nossas barcas, mudança de rotas, desvios, atalhos, sempre a ilusão da possibilidade de um recomeço, como se nossas vidas estivessem atreladas a calendários vãos. Apesar de boa parte da humanidade não considerar essa data o fim de um ano, para nós é sempre uma hora de acerto de contas. Então vamos nessa! Sem retrospectivas, por favor, que disso se encarregam os medíocres meios de comunicação. O "cacos" compartilha com seus amigos fé no futuro. Coisa difícil, quando lembramos que teremos pela frente um cansativo ano eleitoral, com as ridículas disputas de podres poderes. Quase impossível ficar imune a isso, por mais que se tente. Ainda assim, fé no futuro que virá, que já vem vindo, como "anuncia" Alceu Valença:

Na bruma leve das paixões
Que vem de dentro
Tu vens chegando
Pra brincar no meu quintal
No teu cavalo
Peito nu, cabelo ao vento
E o sol quarando
Nossas roupas no varal...
Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais
Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais...
A voz do anjo
Sussurrou no meu ouvido
Eu não duvido
Já escuto os teus sinais
Que tu virias
Numa manhã de domingo
Eu te anuncio
Nos sinos das catedrais...
Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais
Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais...


E um pouco de Drummond, que ninguém é de ferro:


Receita de ano novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido)para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?)
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar que por decreto de esperança a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.

Um grande 2008 a todos! Façamos por merecê-lo.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Festival Internacional de Palhaços

Não poderia deixar de registrar aqui o Encontro Internacional de Palhaços "Anjos do Picadeiro", grande evento que este ano escolheu Salvador como sede.
Mais detalhes, fotos e comentários no http://picadeiroquente.blogspot.com/
Bom divertimento a todos os que não puderam comparecer. Foi uma grande jornada, com direito a 12 horas ininterruptas de apresentações. Muito bom!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007


Fui à premiação do Festival de 5 minutos, versão 2007, produzido pela DIMAS. O resultado, sempre questionado por alguns, teve menções honrosas e prêmios que variaram entre 3 e 10 mil reais. Graninha boa para quem normalmente rala muito para produzir alguma coisa de qualidade nesse país de tão pouco incentivo à cultura. Destaque para "Foram todos pra lua", "Veras", "Meninos", "Passo" (brilhante animação), "Pega, Mata e Come", de Carlos Pronzato, fazendo a devida justiça sobre o verdadeiro autor de Carcará, imortalizado na insuperável interpretação de Betânia. É senso comum atribuir-se a João do Vale a autoria, mas esse filme esclarece qualquer mal-entendido: o verdadeiro autor de "Carcará" é José Cândido da Silva, nascido em Puxinanã, povoado de Santana de Ipanema, nas Alagoas, mas criado em Aracaju, onde viu nascer seus filhos, e onde voltou a viver, depois de aposentado e de consagrar-se, no Rio de Janeiro, como autor de diversos sucessos musicais, alguns dos quais em parceria com o maranhense João do Vale, o que não foi o caso de "Carcará": José Cândido é o único autor de um clássico dos anos de chumbo, interpretado por Nara Leão e por Maria Betânia no espetáculo Opinião, um dos mais assistidos e aplaudidos da década de 1960, e que revelou a própria Betânia, o compositor Zé Keti e outros valores da MPB.
Pois bem, Pronzato, um cineasta argentino radicado na Bahia, foi quem, em 5 minutos, acabou de vez com esse equívoco assumido por muita gente que se diz entendida de MPB. Abocanhou um justíssimo terceiro lugar e o prêmio de 6 mil reais. Parabéns, Pronzato, o júri fez justiça, o que não podemos dizer do primeiro lugar, "Carro de boi", um documentário pouco criativo e que levou 10 mil reais. Mas festival é assim mesmo, subjetividade de jurado é igual a cabeça de juiz e de eleitor. Ninguém sabe o que virá.
O troféu, criado pelo artista plástico Peter Gutman, era uma alusão a um fêmur humano, referência ao homem de Neanderthal e a "2001: uma odisséia no espaço".

Parabéns aos ganhadores e a todos os 285 participantes de todo o Brasil.

Oscar para sempre Niemeyer


Parabéns, grande mestre do sublime e do espanto! 100 anos de puro encantamento!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

O dia em que o Brasil foi invadido

Rir sempre é o melhor remédio

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Carandiru, Pará e Fonte Nova


implosão do Carandiru
Agora é moda: se algo muito escabroso acontece em um determinado lugar, a exemplo da chacina do Carandiru, da prisão de uma menor com homens na cela ou do desabamento de uma arquibancada na Fonte Nova, não pensem duas vezes senhores: implosão já! Essa é a lógica perversa que aqui já está virando rotina.
Todo mundo sabe das precaríssimas condições dos presídios brasileiros, com presos amontoados como bichos, com três ou quatro vezes o número humanamente planejado. Pois então, depois daquele escândalo do Carandiru (alguém ainda se lembra?) qual a solução encontrada pelas autoridades? Implodir o prédio, como se as paredes, a construção em si fosse responsável pelo desmantelo. Ou seja, agrava-se o problema de falta de cela para presidiários, descartando uma prisão de grande porte, para aliviar a consciência (ou enganar os trouxas, o que é a mesma coisa) de quem deveria estar ali administrando bem.
No Pará, a mesma coisa agora: um "débil mental" (foi como o delegado, já afastado, chamou a menina) prende uma menor com vários homens. Foi violentada, agredida, até que um ex-detento, que esteve com ela na cela, saiu e conseguiu a sua certidão de nascimento, provando que tinha apenas 15 anos. Solução? Implodir a delegacia!
O caso da Fonte Nova não escapa da lógica do "vamos implodir", como se isso deletasse a responsabilidade dos que autorizaram um jogo decisivo, estádio lotado, sem condições de uso. Essa possibilidade da implosão como mais barata que uma restauração já estava anunciada mesmo antes da tragédia. Gostaria de ver algum parecer técnico sobre isso. Imaginem: implosão, escombros, retirada de entulho (pensem que quantidade assombrosa de entulho), construção de um novo estádio... Tudo isso de olho numa remota possibilidade de a Bahia sediar algum joguinho secundário da Copa do Mundo. Será que não se tem tecnologia hoje para uma restauração segura e mais barata? Ou é melhor entrar na onda nacional mesmo e implodir para ajudar a passar uma borracha no mal feito?
A propósito, ler o Licuri "Borrachoterapia". Ingresia e Galinho também estão dando um tratamento muito sério ao tema.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Ressaca da tragédia anunciada


Foto agência Estado

"Enfim quem paga o pesar
do tempo que se gastou
das vidas que se custou
e das que podem custar?"

Infelizmente, aqui, ninguém paga essa conta. E mesmo que pagassem, isso não traria de volta as vítimas dessa tragédia mais que anunciada. Visitando hoje vários blogs, todos são unânimes num ponto: a irresponsabilidade do Estado em permitir um jogo decisivo num estádio condenado há um ano! Não dá pra alisar: o que ocorreu ontem na Fonte Nova foi o assassinato de sete pessoas (ainda poderia ser muito mais se o pênalti não fosse desperdiçado). Visitem o Licuri, Ingresia, Blog do Galinho, blog do Kfouri e vocês verão o sentimento geral de indignação e tristeza que tomou conta da Bahia. Solidariedade irrestrita às famílias das vítimas! Responsabilização penal aos culpados! (se vivêssemos em outro mundo).

Museu du Ritmo e a tragédia da Fonte Nova


Fui ao show de Carlinhos Brown nesse domingo, primeiro para ver aquele ambiente funcionando, já q só o tinha visitado vazio. O espaço é fantástico, inovador, com um palco no meio da "pista", o que permite às pessoas verem o show de qualquer posição. Muita criativadade na decoração do palco, arrasou com um convidado angolado "Dog" que veio ensinar os baianos a dançar o cuduro. Muito bom! Em parelelo, a galeria apresenta uma exposição de artistas plásticos baianos, digna de ser vista com calma, fica até dezembro.
Junto à festiva noite, tomei conhecimento da tragédia da Fonte Nova. Sete mortos até agora! Muitos feridos! Segundo o Sindicato da Arquitetura e da Engenharia - Sinaenco, o estado de abandono da Fonte Nova é dramático. Lamentável, como sempre aqui ninguém cuida de manutenção, espera morrer gente para acordar para o problema. Segundo um encontro de Arquitetos e Construtores, o Enaeco, que ocorrerá em 30 de novembro,"o evento insere-se no conceito adotado pelo setor de arquitetura e engenharia consultiva de que é necessário pensar antes para fazer melhor, ou seja, planejar com antecedência para evitar problemas, como os que infelizmente vimos acontecer nas obras para a realização dos Jogos Pan-Americanos, em julho, no Rio de Janeiro”, explica José Roberto Bernasconi, presidente do Sinaenco, sobre as obras para 2014.
A Fonte Nova foi alvo ainda de uma ação civil pública ajuízada no ano passado pela promotora Joseane Suzart no Ministério Público Estadual, que pedia a interdição do estádio, e de um relatório do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia que apontava a praça esportiva como a pior do Brasil.
Aguardemos! O "cacos" não vai descansar enquanto não desistirem dessa insanidade de demolir a Fonte Nova, para implantarem algum projeto faraônico com o único intuito de sediar alguns jogos da Copa. Temos muitas outras prioridades, nosso Estado é pobre, índices de IDH entre os mais baixos do país e não podemos nos dedicar a uma sandice dessas.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Fernando Pessoa/Maria Bethânia - Ultimatum


Ando um pouco abatida desde que postei aqui sobre a Copa do Mundo no Brasil, antevendo o escândalo em termos de gastos descontrolados, porta aberta para as velhas fralcatruas de sempre e me deu um desânimo... Um amigo lusitano contou-me que Portugal sediou a Copa Europa em 2004 e até hoje os estádios estão lá, totalmente ociosos. Pois essa poesia de Fernando Pessoa, com o heterônimo de Álvaro de Campos, 1917, tragicamente atual e lindamente recitada por Betânia deu-me um certo ânimo, ainda que puramente simbólico, e, como ele, eu também dou o meu "ultimatum". Ainda que simbolicamente, é para isso que serve a arte, afinal.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

A copa de 2014


charge de André Gonçalves

Pode ser que eu seja muito ranzinza, mas fiquei indignada com a escolha do Brasil para sediar a copa de 2014. Primeiro, aquela pataquada da comitiva: de Paulo Coelho a uma "ruma" de governadores (será que não tinham nada mais importante a fazer do que engrossar uma comitiva para farrear na Europa?);
Depois o patético discurso de Paulo Coelho (até hoje eu não acredito que seja o mesmo "Dom Paulete" tão carinhosamente chamado por Raul) comparando o futebol com o ato sexual, para concluir que o primeiro rende mais prazer, se é que eu entendi direito. Minha santa mãe de misericórdia! Será que metáforas futebolísticas são o nosso melhor destino?
Mas vamos ao ponto: todo mundo viu o que se gastou com o PAN (quatro vezes o orçamento inicial previsto). Nenhuma matemática do mundo pode justificar um desatino desses. Todo mundo sabe que se gasta numa pequena reforma doméstica 1,5 ou até 2 vezes mais do que foi previsto, mas mais do que isso, alguém está levando vantagem. Ou somos todos idiotas. Aí se argumenta que os gastos com o PAN são benefícios que ficarão para a cidade, como o uso dos estádios para maior democratização dos usuários. Gostaria de saber se isso está acontecendo no Rio. E, parece castigo, esse vexame do deslizamento do túnel. Do jeito que a coisa aconteceu, todo mundo se eximindo de suas responsabilidades, poderia ter acontecido durante o PAN que ninguém tinha antevisto isso, com medidas preventivas de contenção da encosta. Elementar, mas tudo aqui é assim, quando acontece o absolutamente previsível diante do desmando, todo mundo tira o seu da reta. E fica por isso mesmo. Impunidade, seu nome é Brasil! zil! zil! zil!
E vamos comemorar, porque a copa de 2014 é nossa! "Seus problemas acabaram!" como costuma brincar a turma do Casseta. Nada mais nos importa, nada nos atinge, vamos sediar a copa!
Deveríamos ficar atentos com o orçamento que vai nos custar mais essa "brasileirada" e que reais benefícios isso vai nos trazer.
Até agora (tá bom, também foi hoje o resultado, pode ser que esteja errada, tomara!) não ouvi uma única voz refletir sobre o tema, só festa. Como sempre.

Nietzsche, sempre um alento!



Acima de nós uma estrela brilha perto da outra,
Em torno de nós ruge a eternidade. (do poema Colombo - Nietzsche)

"Suas idéias mostram que ela se aventurou até os confins extremos do que se pode pensar, no domínio moral como no intelectual, enfim: um gênio, tanto pelo espírito quanto pela alma" (Peter Gast, sobre Lou Salomé)

Para Nietzsche, Gast era um novo Mozart, cheio de beleza, calor, serenidade, plenitude, abundância de invenção. Agora ele não queria mais ouvir outra coisa e o wagnerismo lhe parecia pobre, artificial e cabotino.

Outrora eu tomei você por uma visão e uma aparição do ideal sobre a terra. Note: tenho uma vista muito ruim. (Nietzsche, sobre Lou)

Despudorada, infiel, traindo qualquer um com quem quer que surgisse à sua frente, ela é incapaz de delicadeza de coração, violenta, incerta, sem coragem, grosseira nas questões de honra. (Nietzsche, sobre Lou)

"Não fui eu quem criou o mundo, nem Lou. Se eu tivesse criado Lou, lhe teria dado certamente uma saúde melhor, mas sobretudo coisas mais importantes que a saúde e também talvez um pouco de amor por mim (embora isso não seja a coisa mais importante). (Nietzsche, numa carta que supostamente mandaria a Lou)

Egoísmo sagrado que paralisa a boa vontade - egoísmo de gato que não pode mais amar, essa vitalidade para nada, são o que me é mais odioso no homem

"Um homem meio louco, torturado por enxaquecas e que uma longa solidão desregulou" (o que Nietzsche achava que os amigos pensavam dele).

É muito mais difícil perdoar os amigos do que os inimigos.

Falar de heroísmo é falar de sacrifício e de dever, e precisamente de um dever de cada dia, de cada hora, é pois, falar de muito mais: a alma inteira deve estar ocupada por um único objeto, em comparação com o qual a vida e a felicidade são indiferentes.

Era a ocasião de provar a si mesmo que todos os acontecimentos são úteis, todos os dias santos e todos os homens divinos. (N. em carta a Overbeck, no Natal, rompido com a mãe)

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Porque hoje é lua cheia




A lua cheia derrama todo o seu encanto no mar de Amaralina e (mistério!) continua cheia...

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

A loucura da arte de Peter Greenaway



Com a trilogia "As valises de Tulse Luper", Greenaway alcança o limite do improvável, do absurdo, do genial. A partir da vida de Luper, um eterno prisioneiro, conta-nos toda a história do século XX. Luper não se sentia estranho sendo prisioneiro, afinal, dizia ele, quem não é? Todos somos prisioneiros de alguma coisa, alguma pessoa, algum ideal. Ninguém é livre, esse é o pressuposto de Luper, um arquivista, arqueólogo e interessado em ciências naturais, que tem sua vida dissecada a partir de 92 valises. Do país de Gales para o deserto de Utah, EUA, para a Antuérpia, Bélgica, para a França, lá vai Luper, de prisão em prisão, de fronteira em fronteira, de idioma em idioma, vivendo tudo o que a vida tem para ser vivida. Esse trailler é uma pequena amostra do fantástico trabalho de direção de Greenaway. Vamos torcer para que chegue logo em DVD ou no circuito alternativo, já que a exibição na Walter da Silveira ficou prejudicada sem o último filme por motivos técnicos.

No http://adrulez.blogspot.com/ esse comentário atualíssimo, da recente presença de Greenaway no Brasil:

"Em São Paulo, onde esteve para o lançamento do Festival Internacional de Arte Eletrônica, o diretor brindou o público com cenas fortíssimas e reflexões inteligentes a céu aberto. E provou que existem muitas formas de se contar uma história sem precisar recorrer à cronologia, ao linear, e o mais impressionante: às palavras."

Segundo o cineasta, que já foi pintor: "O cinema como meio de comunicação de idéias está morto. A produção contemporânea é entediante. Em 10 minutos de filme já se sabe o que vai acontecer, como vai acontecer e de que forma vai terminar. A psiquê humana precisa de novidades. O cinema precisa desesperadamente ser reinventado, assim como qualquer mídia tem que se reinventar (...) Esses 112 anos foram apenas o prólogo do cinema."
Peter Greenaway
Mais detalhes no site http://petergreenaway.co.uk/tulse.htm
É filme para se ter em casa, e ver, e ver de novo, e ver sempre.

sábado, 13 de outubro de 2007

Autran, bem mais que Resíduo

um premonitório aviso do que fica: resíduos.



No caso de Autran, ficam bem mais do que resíduos. Autran era daqueles caras que mereciam ser imortais. Sensível, brilhante na sua longa carreira de ator de teatro e algumas novelas, mas principalmente um grande ser humano, tolerante, bem humorado, lúcido ao extremo, realmente, não era pra ele ir agora. A quem devo encaminhar reclamação por tão grave erro de cronograma? Fica aqui a nossa mais profunda saudade.

domingo, 7 de outubro de 2007

Millôr, eterno Millôr!

"Representação é o alucinógino da organização social chamada democracia. Temos 479 representantes de nossas necessidades e ambições sociais - 479 deputados! Uma sociedade precisa de tantos? Por que não diminuir para 10? Ou melhor, nenhum?"

Nova edição da "Bíblia do Caos" já à venda. Corram! É um presente infalível para todas as ocasiões. E faz pensar, antes de qualquer coisa, além de rir, que é sempre o melhor remédio!

Outros poemas/Henrique Wagner

De portas abertas

As funerárias pequenas e grandes,
de portas sempre abertas
mesmo se as ruas estão fechadas,
ou se um velho passeia de mãos dadas
com sua neta,
ou um casal de senhores namora cedo
quando a manhã principia,
ou quando um cachorro passa com pressa
antes que se termine a via,
ou quando os pais levam seus filhos cedinho
para a escolinha ou o parquinho,
ou quando o sol começa a aguar
o sorvete da menina com um vestido azul,
ou quando a surpresa nos incomoda
ao nos depararmos com essas antigas lojas eternas,
a vender uma velha forma de se esconder a vida.

(Poema publicado no livro "As horas do mundo", edição esgotada). Publiquei Henrique Wagner inspirada no surpreendente poema de nilson pedro, do blag, que trata do mesmo tema, do inevitável tema, vida/morte, nilsonpedro.wordpress.com Visitem!

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

De Londres, fotos exclusivas de manifestação em solidariedade ao povo de Mianmar!








Recebi esse email com quatro fotos exclusivas de uma manifestação, em Londres, em solidariedade ao povo de Mianmar. Era para escolher uma, não resisti, as fotos enviadas pela jornalista Hilda Fausto, em viagem a Londres, são todas absolutamente necessárias. Os brutamontes de Mianmar não vão achá-la mais em Londres, já escapuliu pra Madri.

Vejam o email:

Aí estão as fotos... com vê, não estão lá essa coca-cola...
queria ter feito uma foto segurando a bandeira da birmania, mas não foi possível... de qualquer forma. fiquei emocionada qdo me deparei com a manifestação, que não sabia que tava rolando... isso aconteceu no domingo pela manhã, dia 30 de setembro (acho que uma ação que ocorreu em várias partes do mundo), na Trafalgar Square, palco da grandes manifestações políticas da Inglaterra e também onde está instalada a National Gallery, uma das mais importantes da cidade.
Bjs.
Hildinha


Isso é que eu chamo de "auxílio luxuoso", como diz Luiz Melodia: "E o auxílio luxuoso de um pandeiro, até sonhar de madrugada, uma moça sem mancada, uma mulher não deve vacilar". A propósito, a prêmio Nobel da paz de Mianmar, Aung San Suu Kyi, é uma mulher que não vacila: o marido e os filhos foram exilados para Londres, onde o marido depois morreu, e ela preferiu ficar em seu país, em solidariedade aos presos políticos. Nem ao enterro do marido pôde ir. Está em prisão domiciliar há 10 anos.

Liberdade ao povo de Mianmar!!! Isso já está passando de todos os limites aceitáveis!!!

O enviado da ONU para Mianmar é o brasileiro Paulo César Pinheiro, para sorte da imagem pública da anta Celso Amorim, mas duvido que ele tenha mexido uma palha para isso, foi uma decisão da ONU mesmo. Amorim, como já comentei aqui, se recusou a assinar sanções contra os militares de Mianmar, como fizeram vários países, dizendo que isso era intromissão em política interna de outro país, que o que ele poderia fazer era "reforçar a democracia". Como assim, cara pálida?

Para apoio aos manifestantes de Mianmar e impedir a repressão violenta aos monges e à população, assine já!

Vá ao link:

http://www.avaaz.org e assine o manifesto, preenchendo nome, email e país de origem.
Em poucos dias a petição ganhou o apoio de 638.352 pessoas de todo o mundo, até a hora que votei.

Queremos chegar a 1 milhão de assinaturas, ajude-nos a divulgar a campanha.

http://www.avaaz.org